Resumo do livro
Num só dia, Alieksiéi Fiódorovitch Karamázov tenta fazer o que o mestre lhe deixou, reconciliar e unir, e em cada porta que bate fere alguém sem querer. No mosteiro, ouve a doutrina de que cada um é culpado por todos enquanto os monges esperam um milagre e o padre Ferapont, o louco de Deus que vê diabos, ganha terreno contra o starietismo. Na casa do pai, escuta a filosofia de um velho sem paraíso. Diante de seis colegiais, é apedrejado por ser um Karamázov e mordido por um menino que não consegue explicar. Na sala de Catierina Ivánovna, diz em voz alta o que viu e provoca a ruptura entre ela e Ivan. Na isbá do capitão Snieguiriov, reconhece o menino, entrega o dinheiro da noiva do homem que humilhou o pai dele e vê as cédulas pisoteadas. O que une as cenas é a recusa: cada ofendido (Ivan, Catierina, o capitão, o menino) responde à ajuda ou ao amor que lhe oferecem com uma dignidade ferida, que prefere perder tudo a ser comprada. A pergunta que o livro deixa é se a bondade de Aliócha, que ama de modo ativo e pede perdão antes de saber o que fez, consegue alcançar quem se defende da compaixão.
Capítulo I: O padre Ferapont
Resumo do capítulo
Antes do amanhecer, o Stáriets Zossima acorda muito fraco, mas lúcido e quase alegre, e diz a Alieksiéi Fiódorovitch Karamázov que talvez não viva até o fim do dia. Confessa-se com o padre Paíssi, comunga e recebe a unção; a cela se enche de monges do eremitério e do mosteiro, e ele quer despedir-se de todos, beijando um por um. Fala e ensina enquanto tem voz, de modo desconexo: faz isso por hábito de tantos anos e porque, segundo o narrador, quer dividir uma última vez a alegria e dizer o que ficou por dizer. A primeira coisa que lhes diz desarma o orgulho de quem vive entre aqueles muros:
Análise
Любите друг друга, отцы [...] Не святее же мы мирских за то, что сюда пришли и в сих стенах затворились, а, напротив, всякий сюда пришедший, уже тем самым, что пришел сюда, познал про себя, что он хуже всех мирских и всех и вся на земле
, amai-vos uns aos outros, padres [...] Não somos mais santos do que os leigos por termos vindo para cá e nos fechado nestes muros; ao contrário, quem quer que tenha vindo para cá, só por ter vindo, já reconheceu em si que é pior do que todos os leigos e do que tudo e todos na terra.
O mestre inverte a razão de ser do mosteiro diante dos que o cercam: entrar ali não dá título de santidade, é confissão de ser pior. Diz isso na hora da despedida, com a cela cheia de gente à espera de algo grande depois da sua morte, e a lição funciona como testamento e como freio ao orgulho de ter um santo entre eles.
Assinatura
A análise completa de cada livro de Os Irmãos Karamázov está na assinatura, com a explicação de cada citação, o quiz, o guia em PDF e o caderno de estudos.
Capítulo II: Aliócha na casa do pai
Resumo do capítulo
Alieksiéi Fiódorovitch Karamázov vai primeiro ao pai, porque o velho insistira na véspera que ele viesse, e porque quer saber o que Fiódor pretendia lhe dizer a sós. Marfa Ignátievna, que lhe abre o portão, avisa que Grigori está de cama no anexo e que Ivan Fiódorovitch Karamázov saiu há duas horas; Smierdiakóv foi comprar o almoço, de modo que Fiódor Pávlovitch Karamázov está sozinho em casa. Encontra-o de chinelos, o rosto ainda marcado pela briga com Dmitri Fiódorovitch Karamázov na véspera: a testa roxa amarrada num lenço vermelho, o nariz inchado, e a todo instante uma ida ao espelho. O velho o recebe com hostilidade, diz que o chamou por bobagem, e logo derrama o que carrega. Tem cinquenta e cinco anos e quer viver ainda vinte como homem, para quando as mulheres deixarem de vir de bom grado, e por isso junta dinheiro só para si; afirma que na imundície se vive mais doce, que todos vivem nela, só que às escondidas, e ele às claras, e responde de antemão ao que Aliócha poderia lhe dizer do outro mundo:
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Capítulo III: Os meninos e as pedras
Resumo do capítulo
Alieksiéi Fiódorovitch Karamázov sai da casa do pai aliviado por Fiódor não ter perguntado de Grúchenka, porque então teria de contar o encontro da véspera. Segue para a casa da senhora Khokhlakova com a sensação de que os combatentes recobraram forças durante a noite e de que os corações voltaram a endurecer com o dia, o do pai e o de Mítia; resolve que precisa achar o irmão de qualquer jeito. No caminho, junto a uma pontezinha sobre uma valeta, vê seis colegiais de nove a doze anos, todos com pedras na mão, e do outro lado da valeta, junto a uma cerca, um menino de uns nove anos, pálido, doentio, de olhos pretos faiscantes, com os bolsos do casaco abarrotados de pedras. Aliócha nunca consegue passar indiferente por crianças. Aproxima-se do grupo e começa por uma observação prática, sobre o lado em que um deles leva a sacola; sabe por instinto que um adulto só ganha a confiança de um bando de crianças tratando-as com seriedade e de igual para igual. O menino é canhoto, chama-se Smúrov, e uma pedra vinda do outro lado da valeta passa raspando por ele. Smúrov devolve, e a pedra seguinte do menino isolado acerta em Aliócha:
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Capítulo IV: Na casa das Khokhlakova
Resumo do capítulo
A senhora Khokhlakova, dona de uma casa de pedra de dois andares no centro da cidade, corre ao vestíbulo ao ver Alieksiéi Fiódorovitch Karamázov, ansiosa para saber se ele já espalhou o "novo milagre" do stáriets, o filho devolvido à mãe. Diz-lhe que Catierina Ivánovna está na sala ao lado com Ivan Fiódorovitch Karamázov, numa conversa solene que ela chama de "nadryv", a laceração da alma que se exibe e se compraz em si mesma: os dois se arruínam sem saber para quê, sabem disso e se deleitam. Aliócha responde que foi justamente para ver Catierina Ivánovna, que o convocou na véspera. A filha da casa, Lise Khokhlakova, que o ouviu chegar e teve um acesso, fala por uma fresta de porta; a mãe, ao lamentar-se da noite de febre, do médico Herzenstube e do milagre, perde o fio.
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Capítulo V: O nadryv na sala
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Na sala, a conversa de Catierina Ivánovna com Ivan Fiódorovitch Karamázov está no fim, e Ivan se levantava para sair quando entram Alieksiéi Fiódorovitch Karamázov e a dona da casa. Aliócha vem preocupado: faz um mês que lhe insinuam que Ivan ama Catierina e quer tirá-la de Dmitri Fiódorovitch Karamázov; Mítia lhe disse na véspera que se alegra com a rivalidade do irmão; e ele próprio, depois da cena com Grúchenka, já não tem certeza de que Catierina ama Mítia. A palavra "nadryv", que a senhora Khokhlakova acabou de dizer, o fez estremecer, porque ele a murmurou em sonho nessa madrugada. Aliócha ama os dois irmãos e não suporta a incerteza, porque o seu amor é sempre ativo: ama e logo trata de ajudar, e para ajudar precisa saber o que cada um quer e merece. Não sabe nem a primeira palavra do que se passa.
Catierina, ao vê-lo, o chama para perto de si e pede a Ivan que fique mais um minuto: quer a opinião de Aliócha, em quem confia de todo o ser, diante dos dois amigos. Conta que, depois da cena de ontem, nem sabe se ainda ama Mítia, porque sente pena dele, e isso é mau sinal de amor. Diz então a decisão da noite, que Ivan, seu conselheiro e único amigo, aprova: mesmo que Mítia se case com aquela "criatura", ela nunca o deixará.
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Capítulo VI: A isbá do capitão
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Alieksiéi Fiódorovitch Karamázov sai da casa de Khokhlakova com uma dor grande e rara: "fez uma bobagem", e justo em amor, matéria que diz não entender. O stáriets o mandou reconciliar e unir, e ele acaba de juntar o que não queria juntar. Resolve ser mais esperto da próxima vez, e segue para a rua Ozernaia, onde mora o capitão que Catierina lhe indicou. Antes passa pelo alojamento de Dmitri Fiódorovitch Karamázov, que fica no caminho, e não o encontra: o marceneiro que aluga o quarto responde, com ar de quem recebeu instruções, que ele não dorme em casa há três dias, e olha com susto quando Aliócha pergunta por Grúchenka. Aliócha conclui que gostam de Mítia e o protegem. No caminho lhe ocorre que o filho do capitão, de que Catierina falou, só pode ser o menino que o mordeu, e a ideia o distrai do remorso: ele decide fazer o que lhe pediram e deixar o resto acontecer.
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Capítulo VII: Ao ar livre
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O capitão leva Alieksiéi Fiódorovitch Karamázov para a rua e quer lhe explicar a cena da praça, que não conseguiu contar dentro de casa. Havia uma semana, Dmitri Fiódorovitch Karamázov o tirou do botequim pela barbicha, "o esfregão" como os colegiais já o chamavam, e o arrastou até a praça na hora em que as crianças saíam da escola; Iliúcha, ao vê-lo, correu, abraçou-o, gritou a Mítia que o largasse e lhe beijou a mão, pedindo perdão ao pai. Aliócha jura que o irmão se retratará de joelhos, e o capitão, depois de observar que a promessa ainda é projeto e vem da generosidade de Aliócha, não de Mítia, completa a história com o cavalheirismo do ofensor:
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