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Otelo · Ato IV · Cena I

A convulsão, o teatro e a bofetada

Resumo da cena

Em Chipre, Iago fala a Otelo de beijos secretos, de uma mulher que passa uma hora nua na cama com um amigo "sem mal" e do lenço, e conta que Cássio anda dizendo que estava "mentindo". Otelo ouve "mentindo" e entende "metido", isto é, deitado com ela: repetindo "o lenço, as confissões", cai em convulsão. Quando Cássio chega, Iago diz que o general teve um ataque epiléptico e o manda embora. De pé de novo, Otelo aceita se esconder para ouvir Iago conversar com Cássio sobre Bianca, avisando que será astucioso no uso da paciência, mas também brutal.

Iago pede a Cássio que fale de Bianca, uma mulher que o ama, e Cássio ri; Otelo, escondido e à distância, toma a risada por confissão sobre Desdêmona e completa os gestos dele em voz alta. Bianca chega, indignada, joga no chão o lenço que Cássio lhe dera para copiar e sai; Otelo o reconhece como seu. Cássio vai atrás dela, e Otelo sai do esconderijo e pergunta como deve matá-lo. Diz que Desdêmona deve apodrecer, lamenta o que ela tem de admirável ("é pena, Iago") e pede veneno. Iago propõe estrangulá-la na cama que ela infectou e se encarrega de Cássio.

Soa uma trombeta: chegam Ludovico, enviado do Duque, e Graciano, com uma carta que, segundo Ludovico, chama Otelo de volta a Veneza e passa o governo a Cássio. Desdêmona, prima de Ludovico, pede a ele que sane a ruptura entre Otelo e Cássio. Otelo, que lê a carta, grita "Fogo e enxofre!" e, depois de dizer que se alegra de vê-la "louca", a bate diante de todos. Ludovico se escandaliza, Otelo manda Desdêmona embora, aceita voltar a Veneza e convida Ludovico a jantar. Quando Otelo sai, Ludovico pergunta a Iago se aquilo é hábito dele, e Iago se recusa a dizer o que sabe, pedindo que Ludovico observe o general.

Análise

Em português, "mentindo" e "metido" fazem o papel do trocadilho inglês entre lie with e lie on (vv. 33-38): Otelo ouve "mentir" e lê "deitar com ela".

Na fala de Iago sobre as "grandes cidades" e seus "monstros civilizados" (vv. 66-67), a monstruosidade ganha um sentido urbano e animalizado.

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