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Perguntas · Paraíso

O que a Águia responde sobre o homem que nasce na margem do Indo, no Paraíso?

Responde com uma pergunta, e não com uma explicação. No canto XIX a Águia formada pelas almas dos justos repete a dúvida de Dante: um homem nasce na margem do Indo, onde ninguém fala de Cristo, nem lê, nem escreve; tem desejos e atos bons e morre sem batismo e sem fé; onde está a culpa dele? A resposta é: quem és tu, que queres sentar-te na cadeira para julgar de mil milhas de distância com a vista curta de um palmo?

A Águia não nega a justiça: diz que a vista que o mundo recebe se interna na justiça eterna como o olho no mar, que da margem vê o fundo e no alto-mar não, embora ele exista. Acrescenta que muitos gritam «Cristo, Cristo» e estarão em juízo menos perto dele do que alguém que não o conhece. O pagão do Indo deixa de ser o assunto; passa a ser o leitor.

No canto XX a Águia mostra, nos olhos dela, dois pagãos salvos: Rifeu, o troiano da Eneida, e a luz que a leitura corrente identifica com Trajano. Explica que o reino dos céus sofre violência de amor ardente e de esperança viva, que vence a vontade divina porque ela quer ser vencida, e que os dois saíram do corpo cristãos, em firme fé. O caso deles não abre uma regra: o homem do Indo continua sem resposta. Os mortais devem ser cautos em julgar, porque nem os bem-aventurados conhecem todos os eleitos.

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