Beatriz é a guia de Dante no Paraíso, do primeiro canto ao XXXI. Foi ela quem mandou Virgílio ao encontro dele no Inferno e quem o recebeu no cume do Purgatório, e na terceira cântica sobe com ele de céu em céu, explicando o que vê. A tradição a identifica com Beatrice Portinari, a florentina que Dante amou; dentro do poema ela é uma personagem concreta, com voz, sorriso e método.
Beatriz ensina por argumento e por exemplo, e muitas vezes responde antes de a pergunta se formar. No canto I corrige a ilusão de Dante de que ainda está na terra e explica a subida como ordem natural; no II refuta o que ele pensa das manchas da Lua; no XIV fala por ele sobre a ressurreição dos corpos. A luz dela mede a graça: em Saturno não ri, porque o riso o reduziria a cinza, e no canto XXIII o convida a olhá-la de frente, porque agora ele suporta.
Também aponta para fora de si. No XXIII o repreende por olhar o rosto dela e não o jardim que floresce sob os raios de Cristo. No XXX o poeta desiste de seguir a beleza dela em verso, e no XXXI ela responde à oração dele com um sorriso e volta à fonte. É Bernardo quem toma o lugar dela, a pedido dela, e Dante a revê no seu trono, no terceiro giro a partir do mais alto grau.