Porque o poema dá a cada fundador a voz de um membro da ordem rival. No Sol, Tomás de Aquino, dominicano, gasta o canto XI contando a vida de Francisco, e no XII Boaventura, franciscano, conta a de Domingos. A simetria prova uma coisa que nenhum elogio direto provaria: que o louvor é livre, porque quem o dá não tem nada a ganhar com ele.
Tomás conta a vida de Francisco como um casamento com a Pobreza. Pede que quem fale do lugar onde ele nasceu não diga Assis, que diria pouco, mas Oriente. A Pobreza, viúva do primeiro marido, ficou mil e cem anos e mais desprezada e obscura, sem convite, até Francisco. Boaventura descreve Domingos como amante da fé cristã e santo atleta, benigno com os seus e cruel com os inimigos.
Os dois elogios terminam em censura feita por dentro. Tomás diz que as ovelhas de Domingos, quanto mais se afastam do pastor, mais voltam ao redil vazias de leite. Boaventura diz que a órbita do alto da circunferência da ordem de Francisco está abandonada, e que há mofo onde havia crosta. Quem acusa sabe o que a instituição foi no começo, e por isso o juízo tem autoridade.