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Romeu e Julieta · Ato II · Cena II

Declaração no jardim dos Capuleto

Resumo da cena

No jardim dos Capuleto, Romeu acaba de saltar o muro, depois de ouvir de longe a zombaria de Mercúcio, e vê Julieta aparecer à janela. Diz que ela é o sol que mata a lua invejosa, que, se os olhos dela trocassem de lugar com duas estrelas, o brilho da face dela envergonharia as estrelas, e deseja ser a luva que toca a face dela. Julieta, achando-se sozinha, suspira, e ele a chama de anjo luminoso. Ela então lamenta que ele seja Romeu: pede que renuncie ao pai e ao nome ou, se não puder, que jure amá-la, e então ela deixará de ser Capuleto. Diz que só o nome de Montéquio é seu inimigo, que o nome não é mão, pé, braço nem rosto, e que a rosa, com outro nome, teria o mesmo perfume. Romeu aceita as palavras dela: que o chame de "amor" e ele nunca mais será Romeu.

Julieta se assusta ao ouvir um homem escondido pela noite e reconhece a voz como a de Romeu. Pergunta como ele subiu o muro alto, num lugar que é morte para ele se os parentes dela o acharem. Romeu responde que o amor o fez voar por cima das pedras e que há mais perigo no olhar dela do que em vinte espadas deles, e que preferiria morrer pelo ódio deles a viver sem o amor dela. Julieta diz que a noite esconde o rubor que a faria corar por tudo o que ele ouviu, pergunta se ele a ama e confessa que foi rápida demais em ceder, mas que será mais fiel do que as que sabem fingir distância. Quando Romeu vai jurar pela lua, ela pede que não jure por um astro que muda todo mês, nem jure de todo: diz que, apesar da alegria, não gosta de um pacto tão apressado, tão imprudente, tão súbito, "como o relâmpago" que some antes de dizer "relampeja", e que o botão de amor pode virar flor quando se encontrarem de novo.

Romeu pergunta se vai ficar insatisfeito, e Julieta responde que já deu o seu juramento antes de ser pedido e que daria de novo, porque quanto mais dá, mais tem, pois seu amor é fundo como o mar. A Ama a chama de dentro, e Julieta se retira; volta para dizer que, se o propósito de Romeu é honrado e é o casamento, ele deve mandar dizer no dia seguinte, pelo mensageiro que ela enviará, onde e quando fará a cerimônia, e ela porá toda a sua sorte aos pés dele e o seguirá pelo mundo. Chamada de novo, adia a resposta e se retira, volta ainda para perguntar a que horas deve mandar o mensageiro, e Romeu responde que às nove; ela esqueceu por que o chamou de volta, e os dois dizem que ficariam ali mais um pouco. A despedida se arrasta: ela o compara a um pássaro preso por um fio de seda e diz que a despedida é uma doce tristeza, a ponto de dizer boa noite até o amanhecer. Romeu vai à cela do frade para pedir ajuda.

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