Pôr lado a lado ideias ou palavras opostas, para que uma ilumine a outra pelo contraste.
Em Crime e Castigo
Mate-a e fique com o dinheiro dela, para depois, com a ajuda dele, dedicar-se ao serviço de toda a humanidade e da causa comum: [...] Uma morte e cem vidas em troca, ora, isso é aritmética!
“Uma morte e cem vidas em troca” opõe um só morto a cem salvos. O contraste numérico é o que dá à frase a aparência de uma troca vantajosa e esconde o peso do que se paga.
Primeira Parte: O crime, um estudante na taberna
as pessoas se dividem de certa forma em ordinários e extraordinários. Os ordinários têm de viver obedecendo e não têm direito de transgredir a lei, pois são, veja só, ordinários. Já os extraordinários têm o direito de cometer todo tipo de crime e de transgredir a lei como quiserem, justamente por serem extraordinários
Terceira Parte: A teoria, Porfiri
A alma viva vai pedir vida, a alma viva não vai se submeter à mecânica, a alma viva é desconfiada, a alma viva é retrógrada!
Terceira Parte: A teoria, Razumíkhin
não foi uma pessoa que eu matei, foi um princípio! O princípio, esse eu matei, mas transpor não transpus, fiquei deste lado... Só o que consegui foi matar
Terceira Parte: A teoria, Raskólnikov
Não foi diante de você que me curvei, foi diante de todo o sofrimento humano que me curvei
Quarta Parte: O cerco, Raskólnikov
eu precisava saber então, e saber depressa: sou um piolho, como todos, ou um homem? Vou conseguir transpor ou não vou! Ouso me abaixar e pegar ou não? Sou uma criatura trêmula ou tenho o direito…
Quinta Parte: A confissão, Raskólnikov
Pôs-se de joelhos no meio da praça, curvou-se até o chão e beijou aquela terra suja, com deleite e felicidade
Sexta Parte: A entrega, o narrador
Assinatura
A explicação de cada passagem, em todos os recursos e em todas as obras, está na assinatura.