O leitor ou o público sabe algo que o personagem ignora, e por isso as palavras e os atos do personagem ganham um sentido que ele mesmo não percebe.
Em Eneida
tais coisas, pelo escudo de Vulcano, presente da mãe, ele admira e, sem saber das coisas, alegra-se com a imagem, erguendo ao ombro a fama e os destinos dos descendentes.
O narrador diz que Enéias se alegra com a imagem “sem saber das coisas”: ele ergue ao ombro o destino de Roma sem decifrá-lo. O leitor, que reconhece cada cena gravada no escudo, entende mais do que o herói.