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Perguntas · Inferno

O Inferno, de Dante, é difícil de ler?

O Inferno é a cântica mais fácil de entrar da Comédia, mas pede ajuda. O poema é curto, de pouco mais de 4.700 versos, e tem enredo claro, uma descida com condenados que falam; a dificuldade está nas referências. Dante usa nomes de Florença, da mitologia e da Bíblia sem explicar, e cada canto tem cerca de 140 versos de rima encadeada.

A estrutura ajuda. São 34 cantos, agrupados em círculos, e a ordem é a que Virgílio explica no canto XI, de modo que o leitor sempre sabe em que pecado está. Os cantos mais citados, a porta (III), Francesca (V), Farinata (X), Ulisses (XXVI) e Ugolino (XXXIII), são narrativas, com personagens e diálogo, e se leem como cenas.

O que mais dificulta são as referências a pessoas de Florença e da Itália do século XIII, de que o leitor comum não sabe nada: guelfos e gibelinos, brancos e negros, os papas Bonifácio VIII e Nicolau III. Com um comentário ao lado, o problema diminui. A língua também pesa: o original é em toscano antigo, em terza rima, e qualquer tradução em verso troca palavras decisivas para manter a rima.

Para quem começa, o canto I dá a moldura toda, e o V mostra o tom. O próprio poema avisa, no canto IX, que há uma doutrina escondida sob o véu dos versos: ler devagar compensa.

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