Farinata degli Uberti é um chefe dos gibelinos de Florença, que o poema põe no sexto círculo, entre os hereges, num sepulcro em brasa. No canto X, ele se levanta do túmulo como se tivesse o inferno em grande desprezo e conversa com Dante sobre Florença, e não sobre a própria pena.
A cena começa quando uma voz que sai de uma arca reconhece em Dante um toscano pela fala. Virgílio empurra o poeta para perto da tumba, mandando que meça as palavras. Farinata pergunta quem foram os antepassados de Dante, diz que eram adversários ferozes dele e do seu partido e que por duas vezes os dispersou. Dante responde que os seus voltaram do exílio uma e outra vez, e que os de Farinata não aprenderam bem essa arte. O golpe acerta: Farinata admite que isso o atormenta mais que o leito de fogo.
Ao lado dele, outra sombra cai de costas ao ouvir um verbo no passado. Farinata não muda de aspecto, e explica o que os condenados veem: as coisas que estão longe no tempo, como quem enxerga mal, e não o presente, de modo que só sabem do mundo o que alguém lhes traz. Ele também prediz a Dante o exílio, antes que a Lua se acenda cinquenta vezes.
O poema dá grandeza a quem condena, e Farinata é o exemplo: está num sepulcro em brasa e se comporta como quem não reconhece a pena. É por isso que a condenação, no Inferno, não é decorativa.