Francesca é uma das almas do segundo círculo, o dos luxuriosos, no canto V. Ela conta a Dante que o amor a prendeu ao companheiro e que um beijo, ao lerem juntos a história de Lancelote, os venceu; por isso está na tempestade que nunca para. Não diz o próprio nome: apresenta-se pela terra onde nasceu, à beira do mar, e é Dante quem a chama de Francesca.
Dante desce ao segundo círculo, onde Minos julga as almas, e vê uma ventania arrastando os que submeteram a razão ao desejo. Movido de piedade, pede para falar com dois que vão juntos. Eles vêm como pombas, e Francesca fala, enquanto o outro espírito chora. O nome do companheiro, Paolo, e o de Rimini, a cidade, vêm da tradição dos comentários, e não do poema.
O que mais se discute é o modo como ela conta. Nos tercetos centrais, o sujeito é sempre o Amor: ele prende, não perdoa a quem é amado, não a abandona. Ela atribui o beijo ao livro, «Galeoto foi o livro», e a morte a quem os matou, que espera em Caína. Duas leituras: franqueza de quem foi vencida, ou deslocamento da decisão para fora de si.
Dante cai como corpo morto, de piedade. A cena abre a pergunta que atravessa a cântica: o que o peregrino sente diante do pecado dos outros, e se o poema aprova o que ele sente. Três cantos depois, ele deseja ver Filippo Argenti afundado na lama.