Ugolino é o conde que Dante encontra no gelo da Antenora, no canto XXXIII, roendo o crânio do arcebispo Ruggieri. Conta a Dante, chorando, como morreu de fome com os filhos na torre da Fome, em Pisa, depois de preso por obra de Ruggieri.
O relato começa com um sonho: ele via Ruggieri caçar um lobo e os lobinhos, e cadelas lhes rasgavam os flancos. Ao acordar, ouve os filhos pedirem pão em sonho e, mais tarde, ouve pregarem a porta de baixo da torre. Olha os filhos no rosto e não chora, de tão por dentro que se petrificou; quem chora são eles. Quando ele morde as próprias mãos de dor, os filhos pensam que é fome e se oferecem para que ele coma deles. Nos dias seguintes eles morrem um a um, e Ugolino, já cego, tateia sobre os corpos e os chama por dois dias.
O verso que fecha o relato, «depois, mais que a dor, pôde o jejum», aguenta duas leituras: a fome o matou, ou a fome conseguiu o que a dor não conseguiu e ele comeu os corpos. O poema não escolhe. Em seguida o narrador se volta contra Pisa e pede que a foz do Arno afogue a cidade, e diz que, mesmo que Ugolino tivesse fama de traidor, as crianças eram inocentes.
A cena é de grande piedade, e fica ao lado de uma de grande dureza, no mesmo canto: Dante nega a frei Alberigo o que prometeu e chama isso de cortesia.