Clavis Libri

Júlio César · Ato III · Cena I

O assassinato de César no Capitólio

Resumo da cena

Nos Idos de março, Júlio César vai ao Capitólio e diz ao Adivinho que os Idos chegaram; o Adivinho responde que sim, mas não passaram. Artemidoro tenta lhe entregar uma carta de aviso, insistindo que a leia já, e Décio apresenta ao mesmo tempo um pedido de Trebônio; César diz que o que toca a ele mesmo fica por último e entra no Senado sem ler. O senador Popílio Lena deseja a Cássio que o empreendimento do dia prospere e fala a sós com César; Cássio teme que tudo esteja descoberto e ameaça se matar, mas Bruto nota que Popílio sorri e César não muda de semblante. Trebônio afasta Marco Antônio com conversa, e Metelo Címber se ajoelha pedindo que o irmão exilado volte. César recusa e o rechaça como a um cão; Bruto e Cássio se ajoelham pelo mesmo pedido, e César os recusa também, dizendo-se constante como a estrela do norte; é sob o pretexto desse pedido que os conspiradores o cercam. Casca dá o primeiro golpe, os outros o seguem e Bruto fere por último; César cai dizendo "Até tu, Bruto?".

Os conspiradores gritam liberdade, e Bruto pede calma aos senadores em fuga; depois manda lavar as mãos no sangue de César e sair pelas ruas gritando "paz, liberdade". Um criado de Antônio vem pedir a Bruto garantia para o patrão saber por que César merecia morrer, e Antônio chega, lamenta o corpo e oferece a própria vida aos conspiradores, que a recusam. Aperta a mão de cada um e diz que só quer saber o motivo; Bruto promete explicar. Antônio pede para levar o corpo à praça e falar no funeral. Cássio, à parte, pede que Bruto não consinta; Bruto responde que falará primeiro, explicará o crime e dirá que Antônio fala com licença, sem culpar os conspiradores. Sozinho, Antônio pede perdão ao corpo por ter sido manso com os conspiradores, a quem chama de açougueiros, prevê guerra civil na Itália, com o espírito de César gritando por vingança, e manda o criado de Otávio avisá-lo de que Roma ainda não é segura para ele, mas só depois de ver como o povo reage no Fórum.

Análise

César ignora o Adivinho e Artemidoro, que tentam avisá-lo, porque, diz, o que toca a ele mesmo fica por último, e entra no Senado. Recusa o pedido de Metelo, que os conspiradores usam de pretexto, dizendo-se constante como a estrela do norte, e é nessa recusa que os conspiradores o cercam. Casca golpeia primeiro e Bruto, por último. Antônio finge aliança, obtém licença para falar no funeral e, sozinho, jura vingança e manda avisar Otávio.

Et tu, Brute? Then fall, Caesar!, até tu, Bruto? Então caia, César! (III.1)

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