Não há uma frase oficial, mas a passagem mais famosa do Purgatório é a invectiva do canto VI contra a Itália, que começa com «Ahi serva Italia, di dolore ostello, nave sanza nocchiere in gran tempesta», isto é, «ai, Itália serva, albergue de dor, nau sem piloto em grande tempestade». Dante a dispara depois de ver Sordello abraçar Virgílio só pelo nome de Mântua, e a volta contra a Itália, contra o imperador que a abandonou e contra a Igreja.
Entre os versos isolados, três resumem a cântica. Os primeiros definem o reino: «e cantarei aquele segundo reino onde o espírito humano se purga e se torna digno de subir ao céu». O do canto XVII põe o criador e a criatura no mesmo enunciado: «nem criador nem criatura jamais foi sem amor». E o da última fala de Virgílio dá a medida da liberdade que a viagem entrega a Dante: «livre, reto e são é o teu arbítrio».
Nenhum verso do Purgatório ofuscou os outros, como a inscrição da porta do Inferno. A cântica é mais de processo do que de imagem, e por isso as frases que a resumem dizem o que um homem aprende a querer.