Virgílio não é mandado embora nem punido: o poema o tira de cena porque a razão que ele representa chega, ali, ao fim do seu alcance. Ele se despede sem adeus no alto da escada do canto XXVII, e quando Beatriz chega, no canto XXX, Dante se volta para dizê-lo e o lugar está vazio.
A saída é preparada. No muro de fogo, Virgílio tenta três argumentos de razão e nenhum move Dante; só o nome de Beatriz o faz entrar. Na manhã seguinte, no último degrau, o mestre diz que o trouxe até ali «com engenho e com arte» e que agora o prazer dele deve ser o guia. Dá ao arbítrio de Dante três adjetivos, livre, reto e são, e o coroa e mitra sobre si mesmo. Depois não fala mais, embora siga com ele nos dois cantos seguintes.
Quando Beatriz aparece, Dante sente o amor antigo, volta-se para contá-lo a Virgílio como o menino que corre à mãe, e não o acha. O nome do guia, repetido três vezes com um título novo cada vez, mede a perda. Uma voz diz então que ele não chore ainda por Virgílio, porque lhe convém chorar por outra espada.
Virgílio mesmo explicara a razão do limite, pagão que é: a razão chega até onde vê, e dali em diante é obra de fé. Dante já tinha dito a Forese que iria com ele até o lugar em que estivesse Beatriz, e que ali convinha ficar sem ele.