Sordello é a alma lombarda, o poeta de Mântua que Dante e Virgílio acham sozinha no Antepurgatório e que se levanta ao ouvir o nome de Mântua. O abraço entre ele e Virgílio, dois homens que nunca se viram, dispara em Dante a invectiva contra a Itália, a passagem mais famosa da cântica.
Ele é três coisas ao longo de dois cantos. No canto VI é o patrício, altivo e desdenhoso, que não responde ao pedido de caminho e se ergue só ao nome da terra. No canto VII é o discípulo: ao ouvir «Io son Virgilio», recua, baixa as sobrancelhas, volta humilde e o abraça onde o menor se agarra, saudando-o como glória dos latinos. E é o guia local do vale dos príncipes e da noite, que traça no chão uma linha e explica que de noite não se sobe, porque a escuridão embaraça a vontade com o não poder.
É Sordello quem leva os poetas ao vale florido e aponta as almas sentadas, uma a uma, pelo que fizeram ou deixaram de fazer: Rodolfo, que podia sanar as feridas da Itália e não o fez, Ottacchero e seu filho Vincislao, e outros que a tradição identifica pelo traço. A regra que fecha a lista desfaz a ideia de que a virtude passa de pai a filho: raras vezes ressurge pelos ramos a probidade humana.