Quem é
Pulkhéria Alieksándrovna Raskólnikova é a mãe de Rodion Românovitch Raskólnikov e de Avdótia Românovna Raskólnikova, viúva que vive de uma pensão pequena e depositou nos dois filhos toda a esperança da casa.
O que ela quer é ver o filho formado e a filha em segurança, e ficar perto dos dois: por isso aceita que Dúnia se case com Piotr Pietróvitch Lújin, que poderá empregar Ródia, e por isso se muda para Petersburgo assim que o noivo propõe.
O que ela teme é perder o filho para o que ele esconde: um ano e meio antes ele quis casar com a filha doente e sem dote da senhoria, e ela diz que ele teria passado por cima de qualquer obstáculo, e o que ela vê nele depois do crime a assusta.
O que ela sabe é só o que a carta e os olhos lhe dão, e o texto deixa em aberto se o que a cega é amar demais para perguntar ou evitar o que talvez já adivinhe: suaviza o que o noivo diz, tem certeza de que o filho será um dos primeiros do mundo dos sábios, e quase nunca pergunta onde ele está.
Morre de um mal nervoso, no fecho do livro, duas semanas depois de adoecer, sem que ninguém lhe tenha dito a verdade.
Trajetória
No capítulo III da Primeira Parte ela só existe como carta, duas folhas apertadas em que conta ao filho o que escondeu por dois meses: o assédio de Arkadi Ivánovitch Svidrigáilov a Dúnia, a calúnia da cidade, e o noivado com Lújin, que Dúnia aceitou depois de uma noite de insônia e de oração. Sobre o noivo, repete o que ele disse no segundo encontro e avisa que o abrandou na escrita:
муж ничем не должен быть обязан своей жене, а гораздо лучше, если жена считает мужа за своего благодетеля, o marido não deve nada à esposa, e é muito melhor que a esposa veja no marido o seu benfeitor.
Raskólnikov lê chorando e termina pálido, com um sorriso mau, e a carta é o que põe a teoria dele em urgência no capítulo seguinte.
No capítulo III da Segunda Parte chega às mãos do filho doente o dinheiro que ela mandou por intermédio do mercador Vakhrúchin, e é com ele que Razumíkhin o veste de novo. No capítulo VII da Segunda Parte ela e Dúnia esperam no sofá, havia uma hora e meia, depois de Nastácia lhes contar que ele fugira, doente e delirante, e se jogam sobre ele, que desmaia.
No capítulo I da Terceira Parte o filho quer vê-las longe, repele o agradecimento que ela dirige a Razumíkhin, e ela se assusta com o olhar fixo dele; é Razumíkhin quem a impede de passar a noite no quarto do filho. No capítulo II da Terceira Parte, ferida, conta a Razumíkhin o que a assusta no filho, o projeto de casar com a filha da senhoria, doente e sem dote, e diz o que mãe nenhuma quer dizer:
Преспокойно бы перешагнул через все препятствия., Com a maior tranquilidade, passaria por cima de qualquer obstáculo.
Mostra a Razumíkhin o bilhete de Lújin recebido de manhã, não sabe como pedir ao filho que não venha, e a caminho conta ter sonhado com Marfa Pietróvna. No capítulo III da Terceira Parte quebra o silêncio tenso contando a morte súbita de Marfa Pietróvna no banho, e, segundo a filha, se benzeu na escada de medo dele. No capítulo IV da Terceira Parte, ao sair, confessa à filha um pressentimento: desde que Sófia Semeónovna Marmieládova entrou, teve a impressão de que ali está o ponto central.
No capítulo II da Quarta Parte, atrapalhada, diz a Lújin que passou o que entendeu da frase dele sobre casar com moça pobre, exclama o nome do filho quando ele conta que sentou Sônia ao lado delas, e reclama que o noivo escreve como quem dá ordens e que, tendo as duas largado tudo para vir, estão quase em poder dele. No capítulo III da Quarta Parte, passado o primeiro susto, agradece a Deus e em cinco minutos ri; teme o novo, mas concorda em ficar em Petersburgo; quando o filho anuncia que quer ficar só, suplica que ele se reconcilie com elas.
No capítulo I da Sexta Parte adoece de esperar o filho em vão. No capítulo VII da Sexta Parte, ele chega sujo e encharcado da noite, e ela o recebe em lágrimas de alegria, sem pedir contas, falando do artigo dele, que leu três vezes. Ele lhe pergunta, de coração aberto:
Маменька, что бы ни случилось, что бы вы обо мне ни услышали, что бы вам обо мне ни сказали, будете ли вы любить меня так, как теперь?, Mamãe, aconteça o que acontecer, o que quer que a senhora ouça a meu respeito, o que quer que lhe digam de mim, a senhora vai continuar a me amar como agora?
Ele se despede ajoelhando-se e beijando-lhe os pés, e ela o abençoa, percebe que se aproxima uma hora fatal e não pergunta.
No capítulo I do Epílogo adoece já no início do processo, com um mal nervoso que beira a insânia, é levada por Dúnia e Razumíkhin a uma cidade próxima e recebe deles a história de uma missão particular e distante do filho. Nunca pergunta nada a esse respeito; tem a sua própria versão da partida, de que o viu se despedir chorando, e repete a todos os dois relatos que Razumíkhin lhe conta da generosidade do estudante. Abençoa o casamento da filha com alegria, mas fica ainda mais triste e preocupada; arruma o quarto de Rodia porque ele disse que voltaria em nove meses, adoece à noite e morre em duas semanas:
В бреду вырывались у ней слова, по которым можно было заключить, что она гораздо более подозревала в ужасной судьбе сына, чем даже предполагали, em seu delírio escapavam-lhe palavras pelas quais se podia concluir que ela suspeitava do terrível destino do filho muito mais do que se imaginava.
Temas que encarna
Pulkhéria é a origem do dinheiro e do motivo ao mesmo tempo. A pensão pequena dela, o noivado de Dúnia com um homem que pode empregar o filho e o dinheiro que ela manda a custo, como o próprio filho reconhece ao pedir perdão por tê-lo dado à viúva de Marmieládov, são a matéria concreta do crime tanto quanto a teoria: é a carta dela que faz o filho ver a irmã vendida, e é o dinheiro dela que ele dá à família do bêbado. Isso faz do tema Dinheiro e riqueza matéria de família antes de ser matéria de teoria, e a mãe paga o preço sem saber a que paga.
O segundo serviço dela é ser a mãe que o livro mantém fora do segredo até o fim. Suaviza a frase do noivo, vê no filho um futuro brilhante, não pergunta, e só no delírio da morte as palavras que lhe escapam mostram que suspeitava do terrível destino do filho muito mais do que se imaginava.
O silêncio dela tem duas leituras, e o texto sustenta as duas: proteção de mãe que não quer confirmar o que adivinha, a mesma lógica da mentira que Dúnia e Razumíkhin lhe contam, ou ignorância real de quem ama demais para ler. A pergunta que o filho lhe faz no capítulo VII da Sexta Parte, se ela o amaria como agora aconteça o que acontecer, soa como a única confissão que ele consegue fazer a ela, e a cena a mostra respondendo com a mesma alegria de antes, sem perguntar.
Relações
- Rodion Românovitch Raskólnikov: o filho que ela ama demais para interrogar, e a quem a carta dela dá o motivo íntimo do crime.
- Avdótia Românovna Raskólnikova: a filha cujo noivado ela aceita, cuja ruptura com Lújin ela acompanha atrapalhada, e com quem divide, no fecho do livro, o silêncio sobre o filho.
- Piotr Pietróvitch Lújin: o futuro genro que ela descreve na carta como homem de negócios sólido, cujas frases ela suaviza, e que a faz sentir-se quase em poder dele.
- Dmitri Prokófitch Razumíkhin: quem assume a família na noite do reencontro e a leva, no fecho do livro, a uma cidade próxima do processo.
- Sófia Semeónovna Marmieládova: a moça por quem ela sente o pressentimento do ponto central.