O Cortiço não é difícil de entender, mas pede paciência: o enredo é claro, e o que cansa são os capítulos longos, o grande número de personagens e a linguagem de 1890.
O que ajuda é o enredo, que anda em linha reta: um vendeiro enriquece, levanta um cortiço, inveja o vizinho e acaba devolvendo uma escrava ao cativeiro. As personagens se fixam num traço, e as cenas ficam na memória: a manhã do cortiço, o pagode, a navalhada, o incêndio. O capítulo I já apresenta João Romão, Bertoleza e a estalagem.
O que pesa é o tamanho: cerca de 81 mil palavras em 23 capítulos, de uns 1,2 mil palavras no capítulo XVII a uns 6,7 mil no capítulo X. Há muita gente em cena, além das catorze personagens que o livro mais acompanha, e o vocabulário é de época, com termos como cavouqueiro e jiraus. As descrições naturalistas se alongam, como na manhã do capítulo III, com "um calor de cáustico" que "mordia-lhes os toutiços em brasa e cintilantes de suor", e há cenas duras de violência, de doença e de queda.
Quem quer entrar com menos esforço pode ler o livro pelos três fios que o atravessam: a subida de João Romão, a vida do cortiço como um organismo e a mudança de Jerônimo. O resumo por capítulo, em outra pergunta, ajuda a se orientar.