Bertoleza é a quitandeira escrava que trabalha ao lado de João Romão, de quem é caixeiro, criada e amante, convencida de que é livre por uma carta de alforria que ele forjou. O livro a deixa quase toda no fundo da cena e só a põe em primeiro plano no último capítulo, quando ela é devolvida ao antigo senhor e se mata.
Quando aparece, tem a quitanda mais bem afreguesada do bairro: de manhã vende angu, e à noite, peixe frito e iscas de fígado. Paga de jornal ao dono, um velho cego que mora em Juiz de Fora, vinte mil-réis por mês e ainda guarda "quase que o necessário para a alforria". Quando morre o companheiro dela, um português que fazia fretes com uma carroça de mão, João Romão se oferece como confidente, passa a cuidar do dinheiro dela e lhe lê a carta de liberdade que ele mesmo escreveu.
Daí em diante ela trabalha de madrugada à noite, e o narrador a resume pelo que faz: "o papel tríplice de caixeiro, de criada e de amante". No domingo em que a estalagem troca de roupa, ela continua ao fogão, "sempre sem domingo nem dia santo". Quando as obras começam, "deixara totalmente de ser a amante do vendeiro, para ficar sendo só uma sua escrava", e passa a dormir num vão de escada.
No capítulo XXI ela escuta a conversa de João Romão com Botelho sobre o casamento, entra na sala e exige ficar ao lado dele e ter a sua parte: "Quem me comeu a carne tem de roer-me os ossos!". O desfecho vem poucas páginas depois, e é a lucidez que chega no último instante: ela entende que a carta era mentira e que o amante a devolvia ao cativeiro.