O título O Cortiço nomeia o lugar onde quase tudo acontece: a estalagem que João Romão levanta em Botafogo, um conjunto de casinhas e tinas para lavadeiras, alugadas por cômodo em volta de um pátio, que o narrador trata como coisa viva. No Rio de Janeiro do século XIX, "cortiço" era a habitação coletiva dos trabalhadores pobres.
O próprio livro mostra a palavra em uso. João Romão põe na tabuleta "Estalagem de São Romão", mas quem diz a palavra, furioso, é Miranda, quando vê o vizinho levantar o muro de casinhas debaixo das janelas do sobrado: "Um cortiço! Maldito seja aquele vendeiro de todos os diabos!". O narrador também a usa, e conta que "aquelas três casinhas" foram "o ponto de partida do grande cortiço de São Romão".
O lugar tem nome de dono. Estalagem de São Romão no começo, vira Avenida São Romão depois do incêndio, quando é reconstruído com varandas, lampiões e mais de quatrocentos cômodos. Em volta dele há o Cabeça-de-Gato, o cortiço rival, e o sobrado de Miranda, que olha o São Romão de cima.
Mais do que cenário, o cortiço é o assunto do livro, e por isso o título não leva o nome de nenhuma pessoa. O narrador o apresenta nascendo da lama, "como larvas no esterco", e o acompanha acordando, defendendo-se da polícia, dividindo-se, pegando fogo e se refazendo. O texto não explica a escolha do nome além disso.