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O Cortiço · Capítulos III a V

O cortiço acorda e Romão contrata Jerônimo

Capítulo III: Uma manhã no cortiço

Resumo da seção

Às cinco da manhã o cortiço acorda e o capítulo o mostra pelo lado de dentro, das bicas ao almoço, apresentando as lavadeiras tina a tina: a Machona, Augusta Carne-Mole, mulher do soldado de polícia Alexandre, cuja filha Juju vive com a madrinha, a cocote Léonie, a Bruxa, Marciana e a filha Florinda, a que João Romão deseja, e o lavadeiro Albino. Entre elas está Dona Isabel, viúva do dono de uma casa de chapéus que faliu, que não casa a filha Pombinha com o noivo, o moço do comércio João da Costa, enquanto a moça não se tornar mulher, embora o casamento pudesse devolver as duas ao antigo círculo social. As lavadeiras falam de Rita Baiana, sumida há oito dias em pândega com Firmo, e um rapaz vem à procura da roupa que ela levou.

Passam os trabalhadores, Miranda com Henrique a caminho do armazém e das aulas, e à janela do sobrado Dona Estela e Zulmira limam as unhas, alheias ao barulho. Às nove a venda e a casa de pasto de João Romão e Bertoleza se enchem de operários, e um português forte espera uma hora por Romão para falar de emprego: o patrão está ocupado e só atende quando o movimento passa.

Análise

Sentia-se naquela fermentação sanguínea, naquela gula viçosa de plantas rasteiras que mergulham os pés vigorosos na lama preta e nutriente da vida, o prazer animal de existir, a triunfante satisfação de respirar sobre a terra

O narrador descreve o cortiço acordado como um organismo que ferve, e o que sente quem vive ali é fome, saúde e gosto de existir, não só pobreza. Pode-se ler a imagem das plantas rasteiras como celebração dessa vitalidade, ou como a maneira de o livro tratar os moradores como parte do meio, que cresce onde há lama e água.

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Capítulo IV: Setenta mil-réis e a pedreira

Resumo da seção

Meia hora depois João Romão atende o cavouqueiro, indicado por Machucas, que pede setenta mil-réis quando ele não paga mais de cinquenta e que argumenta com o desastre da semana anterior na pedreira: bom trabalhador custa menos que o acidente. Romão o leva a ver a pedreira, e no caminho, ao atravessar o pátio, dá uma palmada em Florinda, que o ameaça com um regador, e diz com empáfia que nunca entrou ali a polícia. Na pedreira o homem aponta o ataque errado à rocha, as lascas e os macacos de granito que ela rende, o relaxamento dos trabalhadores, e diz que ela é boa, mas não nas mãos em que está. Romão cede porque vê nele quem corrigiria o serviço e, como o homem morará na estalagem e as compras sairão da venda, pensa que os setenta mil-réis lhe voltarão à gaveta; só no fim pergunta o nome, Jerônimo, e lhe dá o cômodo número 35.

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Capítulo V: Jerônimo e Piedade chegam ao cortiço

Resumo da seção

No dia seguinte Jerônimo chega com a mulher, Piedade, para ocupar o número 35, e as lavadeiras comentam os móveis do casal, desconfiadas de novos inquilinos; Leocádia conta que o antigo morador, um charuteiro, fugiu devendo, e que João Romão esvaziou a casa e ficou com o que era dele. O capítulo conta que Jerônimo veio de Portugal com mulher e filha como colono, saiu da fazenda de mãos vazias, e que veio para a Corte quebrar pedra, subiu até contramestre com setenta mil-réis, poupou, pôs a filha, Marianita, num colégio e deixou a pedreira quando os sucessores do patrão reformaram o serviço. Na de Romão assume a direção do trabalho, reforma o pessoal e em dois meses o vendeiro, radiante com o lucro, passa a respeitá-lo como não respeita ninguém, enquanto no cortiço Jerônimo ganha o prestígio que tinha na estalagem anterior. À noite, depois de um dia de picareta, toca fados na guitarra com a mulher junto à porta.

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