Clavis Libri

O Cortiço · Capítulos XII a XIV

Casamento, cortiço rival e plano de vingança

Capítulo XII: A carta de Bruno e o casamento de Pombinha

Resumo da seção

Pombinha corre para casa e mostra à mãe o sangue da puberdade, e Dona Isabel, que vê nele o futuro das duas, cai de joelhos, apregoa a notícia pelo pátio e manda chamar o noivo João da Costa para marcar o casamento sem demora, porque o sangue é, para ela, a garantia de que o casamento vai se fazer. Enquanto isso, depois da navalhada, uma tristeza se espalha pela estalagem, e Rita Baiana anda aborrecida desde que Jerônimo foi para a Ordem, Firmo foi proibido de voltar sob ameaça de polícia e Piedade, que encontrou o marido frio no hospital, definha de choro.

Um dia o ferreiro Bruno, que está separado de Leocádia, pede a Pombinha que escreva a ela, e ela o faz até ele soltar, aos soluços, o recado que veio dizer: que a mulher volte, que ele esquece tudo. Diante das lágrimas dele, Pombinha, que tantas cartas escrevera naquelas condições, vê pela primeira vez o que as cartas escondiam, junta as cenas que presenciou, as fotografias que Léonie lhe mostrou, os segredos dos moradores, e passa a julgar o noivo sem ânimo, um bom rapaz passivo que ela não vai amar. Só não rompe o ajuste por causa da mãe. Uma semana depois, vestida de noiva, sai do cortiço para a igreja de São João Batista entre as lágrimas e as bênçãos dos vizinhos, com Libório queixando-se de ter perdido a namorada e Neném pedindo um botão da grinalda.

Análise

beijou-lhe repetidas vezes a barriga e parecia querer beijar também aquele sangue abençoado, que lhes abria os horizontes da vida, que lhes garantia o futuro

Dona Isabel agradece a Deus de joelhos porque o sangue da filha é, para ela, entrada no casamento, e a pressa de chamar o João da Costa mostra que a promessa de posição lhe importa tanto quanto a festa da puberdade. O texto não a mostra interesseira: o alívio é o de quem passou anos esperando o futuro das duas.

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Capítulo XIII: O Cabeça-de-Gato e o jantar do Barão

Resumo da seção

Com a saída de alguns moradores, sobram candidatos aos cômodos e o cortiço de João Romão enche, apesar da febre amarela que leva dois italianos. Perto dali nasce outro cortiço, o Cabeça-de-Gato, cujo dono de fachada é um português com venda, mas o verdadeiro proprietário é um conselheiro que prefere não aparecer. João Romão vê nele concorrência, persegue o rival com fiscais e guardas e planta nos inquilinos um ódio de partido, e as duas estalagens se dividem em cabeças-de-gato e carapicus, com bandeiras de cores diferentes, brigas de lavadeiras e um peixeiro quase morto por ter falado do outro lado. Firmo muda-se para o Cabeça-de-Gato, onde fica protegido e vira chefe de malta, o que esfria o namoro com Rita Baiana, que não pisa lá. Três meses depois, notando que a rivalidade não lhe tira lucro, João Romão volta ao que de fato o estimula, a comparação com Miranda, e se refaz de dentro para fora: roupa fina, aulas de dança, relógio, quarto soalhado, guardanapo, jornais, teatro, ações, até Miranda passar a tirar-lhe o chapéu. Bertoleza nada ganha com isso e vai ficando mais escrava e mais triste.

O Botelho, parasita da casa do Barão, aproxima-se do vendeiro e lhe propõe fazer a ponte até a filha de Miranda, descrita como bom partido, com prédios e ações do banco, mas cobra vinte contos de réis; João Romão oferece dez, depois quinze, e fecha em vinte, e Botelho então consegue o convite para jantar. O vendeiro prepara o jantar como quem prepara uma prova: banha-se, perfuma-se, ensaia ao espelho, e na casa do Barão cobre-se de suor, escorrega, quase cai com uma cadeira de rodízios e faz rir Zulmira, mas sai satisfeito e animado. Em casa, ao deitar-se ao lado de Bertoleza, que ronca, percebe que ela será estorvo para o casamento e passa a noite sem dormir. No dia seguinte, ao vê-la limpando peixe à porta da venda, ocorre-lhe uma hipótese: e se ela morresse?

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Capítulo XIV: A volta de Jerônimo e a sova combinada

Resumo da seção

Mais de três meses depois da navalhada, Rita chega aos encontros com Firmo com pressa e impertinente, e ele, ciumento, desconfia de um rival. Num domingo ele a espera em vão e, no botequim do Garnisé, ouve de um morador do Cabeça-de-Gato que Jerônimo teve alta e voltou ao cortiço: entende então por que Rita anda mudada, e jura vingar-se dos dois naquela noite. No cortiço, o cavouqueiro, magro e de barba por cortar, volta apoiado em um bambu, recebido em silêncio respeitoso, e pede um café feito pela Rita Baiana em vez do de Piedade, que sente a preferência como infidelidade; na casa da mulata ele se queixa da mulher, pergunta se Firmo ainda a procura, ouve que ela o despachou e não quer homem nenhum, e a aperta pela cintura, pedindo um encontro que ela adia.

Em seguida Jerônimo sai com os companheiros Zé Carlos e Pataca para a venda de Manuel Pepé, onde combinam dar uma sova em Firmo no Garnisé, que ele frequenta toda noite: Jerônimo diz que ainda está fraco, o Pataca responde que o pau dele está forte, e Jerônimo separa oitenta mil-réis para o ajuste dos dois. Durante a tarde de domingo, o cortiço descansa; na janela do Miranda, João Romão, de casimira clara, conversa com Zulmira e olha com desprezo a gente de baixo. Ao anoitecer, os três bebem na venda e seguem para o Garnisé com os cacetes embrulhados numa esteira.

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