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O Cortiço · Capítulos X a XI

Título de barão, navalhada e visita de Pombinha

Capítulo X: O título de Miranda e a navalhada

Resumo da seção

Domingos, o caixeiro que seduziu Florinda, some na noite, e João Romão se recusa a responder pelo dote que prometera: Marciana passa o sábado em delegacias e escritórios de advogados, volta furiosa e bate na filha, que foge de casa, e a mãe, antes cheia de cólera, cai num lamento de quem perdeu o filho. Ao mesmo tempo a casa de Miranda se prepara para a festa: o jornal trouxe a notícia de que o governo português o fez Barão do Freixal, e Dona Estela, Zulmira e Henrique correm entre os criados e os fornecedores, com o Botelho ajudando nos arranjos, enquanto Henrique namorisca Pombinha da janela.

O título tira o sono do vendeiro: ele nunca invejara o vizinho, e agora se vê em sonho barão e banqueiro, e, acordado, hesita entre ter vivido de privações e ter vivido como Miranda. Sem saber vestir casaca, calçar sapato de baile ou conversar em sala, desconta o dia inteiro nos outros: briga com o fiscal, com a Machona, com o velho Libório e com os italianos, e manda esvaziar o número 12, onde Marciana, sem fala, fica sentada na rua, até que um polícia a leva ao xadrez a pedido dele. À noite, no samba, Rita Baiana dança e canta, e Jerônimo sussurra a ela uma proposta, o que leva Firmo ao desafio. Firmo, o capoeira, vence a primeira parte com golpes de pé e cabeça, Jerônimo volta com o varapau e o domina, até que Firmo o fere na barriga com a navalha e foge. Piedade e Rita acodem o ferido. Quando a polícia bate ao portão, o cortiço inteiro, que fala de defender a "comuna", levanta barricada, resiste a pedradas e cal, e só cede quando Neném grita que há fogo no número 12, e os praças entram quebrando tudo debaixo da trovoada.

Análise

O "Jornal do Comércio", onde João Romão lê a notícia, é o diário carioca fundado em 1827.

aquele ente atrofiado pela cobiça e que parecia ter abdicado dos seus privilégios e sentimentos de homem; aquele desgraçado, que nunca jamais amara senão o dinheiro, invejava agora o Miranda
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Capítulo XI: A polícia recuada e a visita de Pombinha

Resumo da seção

A Bruxa, contagiada pela loucura de Marciana, tenta incendiar o cortiço carregando palha para o número 12; acodem a tempo, a chuva ajuda a apagar o fogo e a polícia sai sem prender ninguém, mas deixa casinhas assoladas. João Romão avalia o prejuízo, pensa em cobrar um imposto dos moradores, aumentando aluguel e preço dos gêneros, e é chamado ao subdelegado, para onde vai com uma multidão do cortiço em romaria. Ninguém denuncia ninguém, nem ele, que diz estar ausente na hora do conflito, nem Jerônimo, que diz ao médico que estavam brincando. Rita Baiana vela o ferido e se apega a ele, já sem escrúpulo diante de Piedade, e Jerônimo é levado ao hospital da Ordem de Santo Antônio, de que é irmão, com as duas ao lado.

O capítulo volta então para Pombinha, que acorda abatida e nervosa. No domingo da festa, ela e a mãe tinham passado o dia em casa de Léonie, que mandou Dona Isabel dormir num quarto trancado por fora e, a sós com a menina, a conduziu à alcova e, apesar dos protestos e das lágrimas dela, impôs-lhe um contato que a deixou envergonhada. Pombinha só pode sair depois de dar o beijo da reconciliação, aceita o anel de brilhante por insistência da mãe e volta calada para casa. Dona Isabel, que olha o luxo da casa com impaciência por um futuro melhor, nada percebe. Dois dias depois, com dores e febre, Pombinha sai para o capinzal atrás do cortiço, adormece à sombra das mangueiras e sonha com uma rosa e uma borboleta de fogo; acorda no meio-dia com o primeiro sangue da puberdade, que o narrador recebe como a natureza sorrindo.

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