Clavis Libri

Perguntas · O Cortiço

Qual é a moral de O Cortiço?

O livro não fecha com uma lição declarada. O narrador mostra, capítulo a capítulo, quem sobe e quem paga, e a última cena é a de um homem que acaba de devolver uma escrava ao cativeiro e é recebido, no mesmo instante, com um diploma de sócio benemérito, sem nenhum comentário do narrador sobre o contraste.

Do lado de quem sobe está João Romão. Para levantar o cortiço, forja uma carta de liberdade, furta pedra, faz a conta de que os salários voltam à gaveta e, quando o incêndio mostra as garrafas de dinheiro de Libório, diz que a tomada, mais cedo, seria "um ato de justiça". No fim está de casaca, a caminho do casamento e de um título, e o diploma lhe chega à porta.

Do outro lado ficam os que pagam. Bertoleza morre na cozinha. Piedade, a lavadeira diligente, passa a "andrajosa, sem nenhum trato e sempre ébria". Pombinha, que escrevia as cartas dos vizinhos, termina cocote, e o narrador diz que "a cadeia continuava e continuaria interminavelmente", agora com a filha de Piedade. Jerônimo, que chegou poupador, acaba devendo ao padeiro, e Firmo morre na praia. Os moradores que fizeram a estalagem crescer vão para o cortiço rival.

O que o livro pede ao leitor é ver essa conta, mais do que ouvir uma regra. O romance também não mostra João Romão punido por nenhum dos seus atos, e não diz se a honraria final é ironia do narrador ou retrato de um homem para quem o ato e o nome correm em trilhos separados. Quem procura a moral de O Cortiço encontra, portanto, um quadro a interpretar.

Outras perguntas sobre O Cortiço

Ver todas as perguntas