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Perguntas · O Cortiço

O que é naturalismo e como aparece em O Cortiço?

O naturalismo é a escola literária que, na esteira de Émile Zola, trata as personagens como produto do meio, da hereditariedade e do instinto e descreve a vida dos pobres e o corpo sem as conveniências do romance romântico. O Cortiço, de Aluísio Azevedo, publicado em 1890, é o romance mais conhecido do naturalismo brasileiro.

No livro, o método aparece no modo de narrar. O narrador explica os atos das pessoas pelo lugar em que vivem: o narrador conta que em Jerônimo "se foram reformando todos os seus hábitos singelos de aldeão português" e, mais adiante, diz que ele cedeu "às imposições mesológicas". Piedade percebe o perigo não pela razão: "Não era a inteligência nem a razão o que lhe apontava o perigo, mas o instinto".

As imagens vêm do mundo natural. O cortiço nasce "como larvas no esterco"; os moradores sentem "o prazer animal de existir", como plantas rasteiras que "mergulham os pés vigorosos na lama preta e nutriente da vida"; o lugar acorda, ferve e se arma como um corpo. O narrador olha a multidão de fora, e o texto chega a dizer, depois do destino de Pombinha, que "a cadeia continuava", como se o meio preparasse uma pessoa depois da outra.

O livro, porém, não é só tese. As cenas mostram escolhas: Jerônimo paga os ajudantes que vão matar Firmo e guarda a navalha, João Romão faz contas antes de cada passo, e o dinheiro passa de mão em mão com uma precisão que o olhar de fora não apaga. Aluísio Azevedo, que tinha sido caricaturista, trabalha por quadros e multidões, e já em O Mulato, de 1881, trouxera o naturalismo para o Brasil, com a observação do meio e do corpo à maneira de Zola.

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