Um cortiço é uma habitação coletiva de casinhas e cômodos alugados a gente pobre, em volta de um pátio com tinas e bicas, comum no Rio de Janeiro do século XIX. Em O Cortiço, é a Estalagem de São Romão, que João Romão levanta ao lado do sobrado de Miranda.
O livro descreve o lugar com números e preços. Prontas as casinhas, "noventa e cinco casinhas comportou a imensa estalagem", e João Romão põe na frente um muro de dez palmos, coroado de cacos de vidro, com um portão no centro. "As casinhas eram alugadas por mês e as tinas por dia; tudo pago adiantado", e cada tina, com a água, custava quinhentos réis. As moradoras do cortiço tinham preferência e não pagavam para lavar, e o lugar virou "uma grande lavanderia, agitada e barulhenta".
Quem mora ali são lavadeiras, operários e gente do trabalho: "os empregados da pedreira preferiam todos morar lá, porque ficavam a dois passos da obrigação". Com o tempo o cortiço lota, e o narrador conta que "os casulos subdividiam-se em cubículos do tamanho de sepulturas" e que a febre amarela leva dois moradores italianos.
Fora do livro, os cortiços eram assunto de médicos e autoridades, que os tinham por foco de doenças. Em 1893, três anos depois do romance, a prefeitura derrubou o mais famoso deles, o Cabeça de Porco, no centro do Rio. Dentro do livro, o Cabeça-de-Gato é o cortiço rival do São Romão. Sobre o que significa o nome do livro, ver a pergunta sobre o título.