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Perguntas · O Cortiço

O Cortiço é bom? Vale a pena ler?

Vale a pena para quem gosta de romance de cenas e de multidão, mais do que de um herói só: O Cortiço tem 23 capítulos numerados, sem títulos, e alterna a subida de João Romão com a vida de dezenas de moradores da estalagem, numa narrativa que anda.

O que o livro dá ao leitor é um enredo claro (um vendeiro enriquece à custa dos outros e levanta um cortiço) e cenas que ficam: a manhã em que o cortiço acorda, o pagode de domingo em que o chorado cala o fado, a navalhada e a batalha com a polícia, a briga de Piedade com Rita, o incêndio e o final com a escrava e o diploma. As personagens se fixam num traço. Firmo "não tinha músculos, tinha nervos". João Romão tem "um desespero de acumular". Miranda aparece à janela com um trinchante, como uma espada.

O que pode atrapalhar é o modo naturalista de narrar: imagens de bichos, lama e plantas, e uma explicação dos atos pelo meio e pelo instinto que hoje soa datada. Há também muita gente em cena, cenas duras de violência, doença e queda, e a linguagem é a de um romance de 1890. A escravidão, que é o motor do final, aparece sem filtro.

Não é preciso conhecer nada antes. O texto de 1890 é de domínio público, e o capítulo I já apresenta João Romão, Bertoleza e a estalagem. Quem gostar pode seguir para outro romance do Rio da mesma geração, Quincas Borba, de Machado de Assis, publicado em livro em 1891, em que o protagonista também se instala em Botafogo.

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