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Símbolo

O vaso chinês

O que é

Um vaso chinês grande e caro da sala dos Iepántchin, presente que Ielisavieta Prokófievna Iepántchina estima tanto que, nas palavras da filha, enlouqueceria e choraria diante de todos se ele quebrasse. Na véspera da reunião em que o noivo seria apresentado à velha princesa Bielokónskaia, Aglaia Ivánovna Iepántchina pede a Liev Nikoláievitch Míchkin, meio por zombaria, que o quebre; ele passa a noite com medo de quebrá-lo e o quebra no auge do discurso, pouco antes do ataque. Antes de ser um objeto, o vaso é um medo da casa: já no começo da Quarta Parte a família teme que o príncipe derrube e quebre alguma coisa ao entrar na sala.

Onde aparece

No capítulo I da Quarta Parte, Varvara Ardaliónovna Ívolguina conta ao irmão o que soube na casa dos Iepántchin: que à noite o príncipe será apresentado à Bielokónskaia, e que temem que ele, ao entrar diante dos convidados, derrube e quebre alguma coisa, ou caia ele mesmo. E explica ao irmão por que o príncipe ganhou Aglaia.

Князь ее на удочку тем и поймал, что, во-первых, совсем и не ловил, а во-вторых, что он на глаза всех идиот., O príncipe a fisgou justamente porque, primeiro, nem tentou fisgá-la, e, segundo, porque aos olhos de todos ele é um idiota.
Quarta Parte: O desfecho

No capítulo VI da Quarta Parte, tarde da noite, Aglaia pergunta ao príncipe se ele sabe entrar numa sala e tomar chá com todos olhando, pede que ao menos quebre o vaso chinês da sala e que se sente de propósito perto dele, e por fim avisa quais assuntos ele não deve tocar.

если вы заговорите о чем-нибудь в роде смертной казни, или об экономическом состоянии России, или о том, что «мир спасет красота», то… я, конечно, порадуюсь и посмеюсь очень, но… предупреждаю вас заранее: не кажитесь мне потом на глаза!, se o senhor puser-se a falar de alguma coisa como a pena de morte, ou a situação econômica da Rússia, ou de que "a beleza salvará o mundo", então... eu, é claro, vou me alegrar e rir muito, mas... estou avisando desde já: depois, não me apareça mais diante dos olhos!
Quarta Parte: O desfecho

Ainda no capítulo VI da Quarta Parte, o príncipe responde que agora vai falar com certeza e talvez quebrar o vaso de medo, que antes não temia nada e agora teme tudo, e que vai sonhar com isso a noite inteira.

No capítulo VII da Quarta Parte, o narrador diz que Aglaia o assustou: desde a véspera ele tem a certeza de que vai quebrar o vaso, por mais que fuja dele. Ao ouvir falar de Pavlischov, muda de lugar e se senta justamente ao lado do vaso. No último arroubo do discurso, falando do russo que não tem chão debaixo de si, levanta-se, move o braço, e o vaso cai.

От того, что он отечество нашел, которое здесь просмотрел, и обрадовался; берег, землю нашел и бросился ее целовать! [...] „Кто почвы под собой не имеет, тот и Бога не имеет“., É porque ele achou a pátria que aqui não tinha enxergado, e se alegrou; achou a margem, a terra, e se atirou a beijá-la! [...] "Quem não tem chão debaixo de si também não tem Deus".
Quarta Parte: O desfecho

Ainda no capítulo VII da Quarta Parte, o que o atinge não é a vergonha, é a profecia cumprida, e por um instante tudo se abre em luz, como antes de um ataque. Todos riem com bondade, Lisavieta Prokófievna diz que um pote de barro não vale o susto, e o príncipe, perdoado, volta a falar até cair.

Знаете, я не понимаю, как можно проходить мимо дерева и не быть счастливым, что видишь его? Говорить с человеком и не быть счастливым, что любишь его! О, я только не умею высказать… а сколько вещей на каждом шагу таких прекрасных, которые даже самый потерявшийся человек находит прекрасными? Посмотрите на ребенка, посмотрите на божию зарю, посмотрите на травку, как она растет, посмотрите в глаза, которые на вас смотрят и вас любят…, Sabe, eu não entendo como se pode passar diante de uma árvore e não ser feliz por vê-la. Falar com uma pessoa e não ser feliz por amá-la! Oh, só que eu não sei dizer... e quantas coisas tão belas há a cada passo, que até o homem mais perdido acha belas? Olhem uma criança, olhem a aurora de Deus, olhem a grama, como cresce, olhem os olhos que olham para vocês e os amam...
Quarta Parte: O desfecho

No capítulo VIII da Quarta Parte, na manhã seguinte, o príncipe pede outra vez desculpas pelo vaso e pelo escândalo, e Lisavieta Prokófievna responde que não tem pena do vaso, tem pena dele. Mais tarde, Hippolit Tieriêntiev comenta que o vaso chinês levou a pior e que lamenta não ter estado lá.

No capítulo IX da Quarta Parte, a anedota que corre por Pávlovsk diz que o príncipe, para declarar em voz alta o seu modo de pensar, insultou os dignitários, renegou a noiva em público e, resistindo aos criados que o punham para fora, quebrou um belo vaso chinês.

O que significa

O vaso é a sociedade em que os Iepántchin querem que o príncipe entre sem incidente, e quebrá-lo é o incidente. Aglaia o põe na cabeça dele como desafio, e o pedido vira certeza: o príncipe diz que agora vai quebrá-lo de medo, e quebra. O livro não decide se é acaso ou destino; diz que, para ele, a profecia pesa mais que o escândalo, e mostra a sala perdoando o vaso sem perdoar o homem, que dali a pouco cai num ataque.

O vaso cai entre as duas falas mais sérias do príncipe no salão, a do chão que falta ao russo sem pátria e a da felicidade de ver uma árvore, e por isso a queda não interrompe o discurso, divide-o. No capítulo VI da Quarta Parte Aglaia proibira os temas de que ele mais gosta e pedira, na mesma conversa, o gesto desastrado; no capítulo VII da Quarta Parte ele faz as duas coisas, quebra o vaso e fala do que ela proibira. Duas leituras. Numa, a proibição produziu o desastre, e Aglaia tem nele a parte que o narrador lhe dá ao dizer que ela o assustou; na outra, o vaso só confirmou o que a casa já temia no capítulo I da Quarta Parte, e Lisavieta Prokófievna diz o essencial no capítulo VIII da Quarta Parte ao separar o vaso do homem.

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