O que é
Um maço de cem mil rublos, embrulhado em jornal, que Parfen Semeónovitch Rogójin juntou numa tarde com agiotas e que Nastácia Filíppovna Barachkova joga na lareira na noite do aniversário, oferecendo-o a Gavrila Ardaliónovitch Ívolguin se ele o tirar do fogo com as mãos nuas. Gánia não vai; ela o tira com a tenaz e o dá a ele assim mesmo, com o papel de fora queimado e o dinheiro de dentro intacto. O maço é o último lance de um leilão que começou de manhã, com dezoito mil numa mesinha da casa dos Ívolguin, e a cena do fogo tem duas sequelas: o pacote meio queimado que Gánia devolve, e a vela em que Aglaia, mais tarde, pede que ele queime o dedo.
Onde aparece
No capítulo X da Primeira Parte, na casa dos Ívolguin, Rogójin, que tinha vindo comprar Gánia, acaba oferecendo dinheiro a ela.
Настасья Филипповна! — вскричал он, глядя на нее, как полоумный, робея и вдруг ободряясь до дерзости: — вот восемнадцать тысяч! — и он шаркнул пред ней на столик пачку в белой бумаге, обернутую накрест шнурками. — вот! И… и еще будет!, Nastácia Filíppovna! (gritou ele, olhando para ela como um meio louco, intimidado e de repente se encorajando até a insolência) aqui estão dezoito mil! (e largou diante dela, na mesinha, um maço embrulhado em papel branco e amarrado em cruz com cordões) Aqui! E... e ainda vai haver mais!
No capítulo XIV da Primeira Parte, antes do lance seguinte, Nastácia Filíppovna devolve o que lhe davam: Afanassi Ivánovitch Totski pode ficar com os setenta e cinco mil, e o general pode levar as pérolas para a esposa.
No capítulo XV da Primeira Parte, Rogójin entra com o bando, põe na mesa o maço embrulhado na Gazeta da Bolsa e espera como quem espera a sentença, e ela conta a todos como ele a regateou.
Во сто тысяч меня оценил! [...] Да неужто ты меня в свою семью ввести хотел? Меня-то, Рогожинскую!, me avaliou em cem mil! [...] Será que você queria mesmo me levar para a sua família? A mim, a mulher de Rogójin!
No capítulo XVI da Primeira Parte, antes de partir com Rogójin, ela quer ver a alma de Gánia pela última vez.
Видишь ты эту пачку, в ней сто тысяч! [...] Как только огонь обхватит ее всю, — полезай в камин, но только без перчаток, с голыми руками [...] Вытащишь — твоя, все сто тысяч твои!, está vendo este pacote? Nele há cem mil! [...] Assim que o fogo pegar nele inteiro, enfie-se na lareira, mas sem luvas, de mãos nuas [...] Tirou, é seu, os cem mil são seus!
Ainda no capítulo XVI da Primeira Parte, Lukian Timofêievitch Liébediev se arrasta de joelhos pedindo para entrar no fogo por causa dos filhos, e Gánia fica de braços cruzados olhando a lareira, tenta sair e desmaia. Ela tira o maço com a tenaz e tira a conclusão.
а не пошел-таки, выдержал! Значит, самолюбия еще больше, чем жажды денег., e não foi, aguentou! Quer dizer que tem mais amor-próprio do que sede de dinheiro.
No capítulo I da Segunda Parte, conta-se que, na mesma noite, Gánia esperou Liev Nikoláievitch Míchkin voltar de Iecateringof, pôs diante dele o pacote meio queimado, pediu que o devolvesse a Nastácia Filíppovna e chorou duas horas ao lado dele; separaram-se amigos.
No capítulo VIII da Terceira Parte, no banco verde, Aglaia Ivánovna Iepántchina diz ao príncipe, para medi-lo, que ama Gánia e que Gánia segurou o dedo sobre uma vela para provar o amor; diante da dúvida dele, ri como criança e confessa a mentira.
No capítulo I da Quarta Parte, o narrador volta ao dinheiro: Gánia, derrotado, de fato levou ao príncipe o dinheiro que a louca lhe atirara, arrependeu-se mil vezes da devolução e não parou de se envaidecer dela; e naqueles dias passou a odiar o príncipe por olhá-lo com compaixão demais.
No capítulo IX da Quarta Parte, refugiada na casa da mãe de Gánia depois do encontro com Nastácia Filíppovna, conta-se (o narrador avisa que são boatos, e nem todos exatos) que Aglaia o ouviu falar de amor e perguntou se ele, como prova, queimaria o dedo na vela naquela hora, e que, diante do espanto dele, riu e subiu.
O que significa
O fogo põe à prova o que o dinheiro compra. Nastácia Filíppovna o usa para medir Gánia pelo preço que ele aceitou, o de casar com ela pelos setenta e cinco mil, e descobre outra coisa: um homem que não se curva nem diante de cem mil. O dinheiro não compra ninguém naquela noite, e quem o queima é a mulher que todos estavam comprando. A vela da Terceira e da Quarta Parte devolve a cena em escala pequena: Aglaia inventa e depois, segundo os boatos, propõe a Gánia a mesma prova de fogo, e ele, de novo, não a faz.
Gánia vence a prova e perde com ela. No capítulo XVI da Primeira Parte ele não estende a mão, e Nastácia Filíppovna o premia; no capítulo I da Segunda Parte ele devolve o prêmio, e no capítulo I da Quarta Parte o narrador conta que se arrependeu da devolução mil vezes e não parou de se gabar dela. O fogo não decidiu se o que pesa nele é o orgulho ou o dinheiro: mostrou que os dois pesam quase igual, e que ele vai passar o livro inteiro entre um e outro. Quando Aglaia, no capítulo IX da Quarta Parte, pede, segundo os boatos, o dedo na vela, pede o gesto que ele não fez diante da lareira, e o espanto dele é a mesma resposta.
Relações
- Temas-padrão: Dinheiro e riqueza.
- Temas da obra: Dinheiro e riqueza.
- Personagens: Nastácia Filíppovna Barachkova, Gavrila Ardaliónovitch Ívolguin, Parfen Semeónovitch Rogójin, Afanassi Ivánovitch Totski, Lukian Timofêievitch Liébediev, Liev Nikoláievitch Míchkin, Aglaia Ivánovna Iepántchina.
- Símbolos vizinhos: a faca, cuja primeira forma, a navalha do jornal, Nastácia Filíppovna atira a Gánia na mesma noite do maço.