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Símbolo

O cavaleiro pobre

O que é

Uma balada de Púchkin sobre um cavaleiro que teve uma visão, nunca mais olhou para mulher nenhuma, escreveu com o próprio sangue no escudo as iniciais da Virgem, combateu na Palestina gritando um nome santo e morreu como um louco. Na casa dos Iepántchin ela vira primeiro brincadeira de família, um tema de quadro para Adelaida Ivánovna Iepántchina para o qual ninguém achou rosto, e depois a figura com que Aglaia Ivánovna Iepántchina fala de Liev Nikoláievitch Míchkin sem dizer o nome dele. Ela o liga ao Dom Quixote, o livro em que guardou o bilhete do príncipe, e o recita diante dele trocando as letras do escudo pelas iniciais de Nastácia Filíppovna Barachkova. Dali em diante o nome volta, na boca de outros, cada vez que alguém quer dizer o que liga Aglaia ao príncipe.

Onde aparece

No capítulo I da Segunda Parte, Aglaia guarda o bilhete do príncipe num livro grosso e só uma semana depois vê qual era.

Это был «Дон-Кихот Ламанчский». Аглая ужасно расхохоталась — неизвестно чему, Era o Dom Quixote de la Mancha. Aglaia caiu numa gargalhada terrível, não se sabe de quê.
Segunda Parte: O quadro

No capítulo VI da Segunda Parte, no terraço da datcha de Liébediev, Nikolai Ardaliónovitch Ívolguin proclama que nada é melhor do que o cavaleiro pobre, a família ri e o príncipe cora como um menino. O príncipe Sch. explica a brincadeira do mês anterior, e Aglaia, já recomposta, dá uma aula sobre o poema, insistindo em letras que Kólia corrige.

этому «бедному рыцарю» уже всё равно стало: кто бы ни была и что бы ни сделала его дама. Довольно того, что он ее выбрал и поверил ее «чистой красоте», а затем уже преклонился пред нею навеки; в том-то и заслуга, что если б она потом хоть воровкой была, то он все-таки должен был ей верить, para esse cavaleiro pobre já não importava quem fosse a sua dama nem o que ela tivesse feito. Bastava que ele a tivesse escolhido e acreditado na sua beleza pura, e depois se inclinado diante dela para sempre; o mérito está justamente em que, mesmo que ela depois fosse uma ladra, ele ainda assim devia acreditar nela.
Segunda Parte: O quadro

Ainda no capítulo VI da Segunda Parte, ela liga o cavaleiro ao livro em que está o bilhete.

«Рыцарь бедный» — тот же Дон-Кихот, но только серьезный, а не комический, O cavaleiro pobre é o mesmo Dom Quixote, só que sério, e não cômico.
Segunda Parte: O quadro

No capítulo VII da Segunda Parte, Aglaia recita a balada olhando só para o príncipe, com uma seriedade e uma simplicidade que prendem todo mundo, e ele percebe uma coisa.

во время чтения Аглая позволила себе переменить буквы A. M. D. в буквы Н. Ф. Б., durante a leitura Aglaia se permitiu trocar as letras A. M. D. pelas letras N. F. B.
Segunda Parte: O quadro

Ainda no capítulo VII da Segunda Parte, o príncipe não consegue separar a beleza da leitura da maldade da troca, e Ievguiêni Pávlovitch Radomski, que entendeu, pergunta a Aglaia se o cavaleiro pobre está de volta.

как можно было соединить такое истинное, прекрасное чувство с такою явною и злобною насмешкой?, como era possível juntar um sentimento tão verdadeiro, tão belo, com uma zombaria tão evidente e maldosa?
Segunda Parte: O quadro

No capítulo XII da Segunda Parte, Ielisavieta Prokófievna Iepántchina pergunta ao príncipe o que é o cavaleiro pobre, e ele diz que não sabe, que foi uma brincadeira feita sem ele.

No capítulo I da Terceira Parte, entre as perguntas que Lisavieta Prokófievna se faz sobre a filha está a de por que a carta anônima menciona aquele maldito cavaleiro pobre, se Aglaia não mostrou nem às irmãs a carta do príncipe.

No capítulo II da Terceira Parte, quando Aglaia defende o príncipe diante da família, Kólia grita vivas ao cavaleiro pobre, e Alieksandra Ivánovna Iepántchina sussurra à mãe que é a mesma brincadeira de antes.

No capítulo VIII da Terceira Parte, no banco verde, Aglaia explica ao príncipe por que leu a balada: quis elogiá-lo por uma coisa e, ao mesmo tempo, marcá-lo pelo que fez com Nastácia Filíppovna e mostrar que sabia tudo.

No capítulo V da Quarta Parte, quando a casa percebe que se decide o destino de Aglaia, todos juram que tudo estava claro desde o cavaleiro pobre, e Lisavieta Prokófievna se pergunta o que queria dizer, naquela época, aquele detestável cavaleiro pobre.

No capítulo IX da Quarta Parte, Radomski descreve ao príncipe o dia da chegada a Petersburgo: a história de uma mulher ofendida contada a um cavaleiro, a um homem virgem, que a vê no mesmo dia e fica enfeitiçado pela beleza fantástica dela.

No capítulo XII da Quarta Parte, na carta de Paris, o destino de Aglaia mostra onde ela foi buscar outro herói.

Пленил он Аглаю необычайным благородством своей истерзавшейся страданиями по отчизне души, и до того пленил, что та, еще до выхода замуж, стала членом какого-то заграничного комитета по восстановлению Польши и сверх того попала в католическую исповедальню какого-то знаменитого патера, овладевшего ее умом до исступления., Ele cativou Aglaia pela nobreza extraordinária da sua alma dilacerada de sofrimento pela pátria, e a cativou a tal ponto que ela, ainda antes de casar, tornou-se membro de um comitê no estrangeiro pela restauração da Polônia e, além disso, foi parar no confessionário católico de um padre famoso, que se apoderou da mente dela até o delírio.
Quarta Parte: O desfecho

O que significa

O cavaleiro pobre é o modo que Aglaia tem de dizer, diante da família, o que pensa do príncipe: ridículo e digno de respeito ao mesmo tempo, um Dom Quixote que ela chama de sério. A troca das letras põe no escudo a mulher de quem a cidade diz tudo, e o elogio da fidelidade a uma dama que pode ser ladra vira, no mesmo gesto, acusação.

A balada fala de um cavaleiro que escolhe a dama e não olha mais para nenhuma outra, e o que Aglaia admira nela é exatamente o que vai fazê-la perder o príncipe. No capítulo VI da Segunda Parte ela diz que o mérito do cavaleiro está em acreditar na dama mesmo que ela fosse ladra; no capítulo VIII da Quarta Parte o príncipe fica com Nastácia Filíppovna, e Aglaia foge. Duas leituras. Numa, Aglaia descreveu desde o começo a fidelidade que temia, e a recitação foi um modo de enfrentá-la em público; na outra, ela queria para si um cavaleiro assim e, sem ele, aceitou no capítulo XII da Quarta Parte o primeiro que lhe falou de uma causa perdida.

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