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Perguntas · A Montanha Mágica

O que é o tempo em A Montanha Mágica?

Em A Montanha Mágica, o tempo é ao mesmo tempo o assunto e a forma do romance: no sanatório ele deixa de correr como na planície, e o hábito e a monotonia o encolhem até que sete anos passem quase sem ser percebidos.

A ideia aparece desde a chegada. Hans Castorp fixa a visita em três semanas, e Joachim responde que três semanas representam quase nada "aqui em cima". Settembrini avisa que ali a menor unidade de tempo é o mês. No capítulo IV, o narrador interrompe a história com o Excurso sobre o sentido do tempo: os anos ricos em acontecimentos passam devagar, e o tédio é uma "brevidade mórbida do tempo, provocada pela monotonia". No começo do capítulo V, com Hans Castorp de cama, o narrador chama esse tempo do doente acamado de "um agora que parou", o mesmo dia repetido em que a sopa chega eternamente.

O próprio livro imita a experiência: os quatro primeiros capítulos contam as três primeiras semanas, o narrador avisa no começo do capítulo V que as três seguintes passarão num piscar de olhos, e no capítulo VII o narrador pergunta se é possível narrar o tempo em si. No fim, Hans Castorp já não usa relógio nem calendário.

A tese vale fora do sanatório: o tempo encolhe onde nada muda, e a rotina que protege é a mesma que apaga. O que devolve o tempo a Hans Castorp não é uma decisão dele, mas um acontecimento histórico vindo de fora, a guerra.

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