Lodovico Settembrini é o humanista italiano do sanatório e o primeiro mestre de Hans Castorp: literato, doente que não pode deixar a montanha, defensor da razão, do progresso, da democracia e da civilização contra tudo o que considera queda.
Ele entra no capítulo III já como pedagogo. Chama os médicos de "nossos Minos e Radamanto", os juízes do mundo dos mortos, e os pacientes de "gente decaída"; cita o hino de Carducci a Satanás como símbolo da razão rebelde; e, na noite desse mesmo dia, sugere que Hans Castorp faça as malas e parta no trem do dia seguinte. No capítulo IV formula a doutrina: a doença não é nobre, a música é "politicamente suspeita", e a literatura, a moral e a política formam uma só força, a civilização.
No capítulo VI ganha um adversário, o jesuíta Naphta, e os dois disputam por anos a formação de Hans Castorp. No capítulo VII aceita o duelo, embora o desaprove, e atira para o ar. Na despedida, manda o discípulo descer à planície.
A régua dele não é saúde contra doença, mas razão e coragem. O romance lhe dá eloquência e generosidade e mesmo assim não o deixa vencer: a frase decisiva do livro vem de um sonho na neve, não de um argumento seu. Ainda assim, é a única voz que pede a descida desde o primeiro dia, e é ela que se cumpre no fim.