Hans Castorp é o protagonista de A Montanha Mágica: um jovem engenheiro naval de Hamburgo, que ainda não completara vinte e três anos quando foi a Davos visitar o primo por três semanas e acabou ficando sete anos no sanatório.
Órfão de pai e mãe na infância e, pouco depois, do avô, foi criado pelo tio-avô, o cônsul Tienappel, numa casa que lhe deu os hábitos de um burguês de Hamburgo, como o gosto pelos charutos Maria Mancini. A profissão veio de uma sugestão alheia, não de vocação. O narrador o chama de "jovem singelo" e o define menos pelo que ele é do que pelo que a época não lhe deu: uma resposta à pergunta "para quê?".
No sanatório, essa falta o deixa aberto a tudo. Ele se apaixona por Clawdia Chauchat, ouve por anos os debates de Settembrini e Naphta, estuda anatomia por conta própria e se deixa fascinar por Peeperkorn. Na tempestade de neve do capítulo VI, chega sozinho à frase que resolveria o duelo dos mestres e, na mesma noite, já não a entende muito bem.
O arco dele é a passagem de visitante a morador, e ele não decide nenhuma das viradas: o corpo e o diagnóstico decidem que ele fica, e o trovão da guerra decide que ele desce.