O título se refere ao Sanatório Berghof, em Davos, nos Alpes: a montanha mágica é esse lugar acima da planície onde o tempo deixa de correr, quem sobe são adoece e quem fica já não consegue ir embora.
O feitiço do lugar aparece em várias falas. Joachim avisa no capítulo I que regressar em três semanas "é uma ideia lá de baixo". O dr. Behrens diz, no capítulo IV, que o ar da montanha é bom contra a doença e também para ela. Settembrini, depois da Noite de Walpurgis, lembra que quem comeu dos frutos do reino das sombras pertence a ele para sempre. E Hans Castorp, que chegou para três semanas, fica sete anos.
No capítulo VII, quando a guerra estoura, o narrador diz que o trovão "faz explodir a montanha mágica" e lança o protagonista, como um dorminhoco, diante dos portões. O encanto só se quebra por um acontecimento de fora.
O próprio livro sugere um alcance maior. O narrador situa a história "naquele mundo de antes da Grande Guerra" e chama o trovão de "histórico", um abalo nos alicerces da Terra: o encanto que prende um jovem a quem a época não respondeu ao "para quê?" é também o de uma época inteira. Nos dois planos, o Berghof é ao mesmo tempo cenário e doença, o lugar que retém pela rotina, pelo ar e pelo diagnóstico.