Quem é
O segundo pedagogo do romance, vizinho de pensão de Lodovico Settembrini, professor de línguas antigas e ex-aluno de um seminário jesuíta. A primeira imagem que o texto fixa dele é toda em arestas.
A primeira imagem que o texto fixa dele é toda em arestas:Tudo nele parecia cortante: o nariz adunco que dominava o rosto, a boca de lábios finos e comprimidos, as grossas lentes dos óculos de aros leves, atrás dos quais apontavam os olhos de um cinzento claro, até mesmo o silêncio que o homem guardava, e que fazia supor que também a sua maneira de falar seria incisiva e lógica.
Trajetória
A biografia, contada na seção Operationes spirituales, explica de onde vem a violência das suas doutrinas: o pai, açougueiro ritual judeu, morre crucificado num motim; o órfão é recolhido por um jesuíta, converte-se no colégio Stella Matutina e é parado pela doença antes do sacerdócio.
O pai, Elia Naphta, morre num motim provocado pela morte não esclarecida de duas crianças cristãs:encontraram-no crucificado, fixado com cravos à porta da sua casa incendiada.
Não progrediu além do subdiaconato [...] e como a hemoptise se repetisse, e a febre não desse mostras de ceder, teve que submeter-se, à custa da ordem, a um tratamento prolongado.
Na sala forrada de seda defende, contra Settembrini, que não há conhecimento neutro em relação à fé, e chega à necessidade do terror.
É indiscutível a legitimidade da concepção eclesiástica da ciência, que se pode resumir nas palavras de Santo Agostinho: “Creio para compreender”.
Já sabemos que o poder é mau. Mas, para que chegue o reino, é preciso suspender momentaneamente o dualismo entre bem e mal, aquém e além, espírito e arbítrio, e uni-lo em um princípio que reúna o ascetismo e o domínio. Eis aí o que chamo necessidade do terror.
Defende que a doença, e não a saúde, é o que torna o homem humano, e diante do corpo de Joachim Ziemssen mantém o duelo de doutrinas.
quanto mais enfermo, tanto mais humano, e o gênio da enfermidade é mais humano que o da saúde.
À observação sarcástica de Naphta sobre a comoção do humanista, o próprio Naphta acrescenta, ainda junto ao corpo de Joachim:O erro dos literatos consiste na crença de que somente o espírito torna as pessoas decentes. Em realidade, o que se dá é antes o contrário. Somente onde falta o espírito existe decência.
No Capítulo VII: Peeperkorn, o grande tédio e o trovão, com a saúde piorando, justifica o próprio método pelo ceticismo radical e, no duelo, atira na própria cabeça.
Naphta responde ao insulto justificando o próprio método pedagógico com uma frase que resume sua filosofia inteira:É apenas do ceticismo radical, do caos moral, que nasce o absoluto, o terror sagrado de que carece o nosso tempo.
O desfecho do duelo é narrado sem metáfora: Settembrini atira para o ar, Naphta o chama de covarde elevantou a pistola de um modo que nada mais tinha a ver com um combate, e descarregou-a na própria cabeça.
Temas que encarna
Os temas-padrão que passam por ele são Fé, Poder e Violência.
Naphta morre pela mesma lógica de Peeperkorn, a de que sentir e agir plenamente é um dever que não tolera meio-termo: onde Peeperkorn se mata por não poder mais honrar o sentimento, Naphta se mata para forçar Settembrini a honrar, com sangue, uma discussão puramente espiritual, e as duas mortes fecham o capítulo com a mesma pergunta sobre o preço de uma convicção levada até o fim.
Relações
- Lodovico Settembrini: o adversário de doutrina, que ele obriga ao duelo.
- Hans Castorp: o discípulo disputado, que longe dele, diante de Settembrini, o descreve com a mesma figura já usada contra ele próprio, ver
- Pieter Peeperkorn: morre pela mesma lógica que ele, segundo a leitura do capítulo VII.