Clavis Libri

Personagem

Joachim Ziemssen

Quem é

Primo de Hans Castorp, militar internado no O Berghof, que já fala a língua do sanatório quando o primo chega e que só quer voltar ao regimento.

Joachim responde relativizando a mesma medida, e é aqui que o vocabulário do sanatório entra pela primeira vez na conversa. Três semanas representam quase nada para nós aqui em cima, mas para você que vem de visita e tenciona demorar-se só três semanas é uma porção de tempo. [...] “Regressar daqui a três semanas” é uma ideia lá de baixo.
Capítulo I: A chegada ao Berghof

Trajetória

É ele quem diz, no primeiro jantar, a frase mais seca do romance sobre o lugar.

Depressa ou devagar, como queira [...] Ele não passa é de modo algum, sabe? Aqui não há tempo nem vida; não há é coisa alguma
Capítulo I: A chegada ao Berghof
A frase antecipa, em boca de militar entediado, tudo o que o Excurso do capítulo IV vai desenvolver como teoria, e é a que costuma ser citada quando se resume o romance. Vale reter que ela é dita no primeiro dia, antes de qualquer doutrina, e por quem só quer ir embora.
Capítulo I: A chegada ao Berghof

Mede a febre com o termômetro (ver O termômetro) quatro vezes por dia, sete minutos de cada vez, e é dele o coração que Hans Castorp vê primeiro na radioscopia (ver A radiografia).

No laboratório de radioscopia (ver A radiografia), Behrens mostra primeiro a Hans Castorp o próprio esqueleto de Joachim, que ele examina na penumbra através do anteparo luminoso. Deus do céu, era o coração. Hans Castorp estava vendo o coração honroso de Joachim. — Estou vendo seu coração! — disse com voz estrangulada.
Capítulo V: Humaniora, a análise e a Noite de Walpurgis

Farto da escala dos médicos, antecipa a partida contra a opinião deles e, ao embarcar, chama o primo pelo prenome pela primeira vez.

Hans [...], venha logo, você também!
Capítulo VI: Naphta, a Neve e a morte de Joachim

Volta doente, piora sem esconder e morre no Berghof dando uma última ordem doméstica, e Dr. Behrens resume a morte dele na língua militar.

No instante da morte, Joachim, sem saber que morre, dá uma última ordem doméstica: o enfermo mencionou com certa pressa que devia imediatamente redigir e despachar um requerimento, solicitando a prorrogação de sua licença. No meio dessas palavras realizou-se o “trespasse imperceptível”.
Capítulo VI: Naphta, a Neve e a morte de Joachim
Safou-se para o campo da honra, esse fujão. Mas no caso dele a honra significou a morte, e a morte… Bem, vocês também podem inverter a frase, à vontade. Seja como for, ele nos disse: “Tenho a honra de me despedir”.
Capítulo VI: Naphta, a Neve e a morte de Joachim

Reaparece no capítulo VII, na sessão de Elly Brand, com a barba de guerreiro dos últimos dias.

A aparição é descrita com o mesmo cuidado material que o narrador dedica às cenas mais concretas do romance: estava Joachim. Era Joachim, com as sombras das faces encovadas e com a barba de guerreiro dos seus últimos dias [...] Não obstante o abrigo da cabeça, que lhe obscurecia as feições, distinguia-se novamente no seu rosto o cunho do sofrimento.
Capítulo VII: Peeperkorn, o grande tédio e o trovão

Temas que encarna

Os temas-padrão que passam por ele são Dever, Morte e Honra e reputação.

Joachim desce do Berghof por convicção e por escolha própria: vai servir e volta para morrer. Hans Castorp só desce sete anos depois, e não por escolha, mas pelo trovão. A ironia é dita por Settembrini na despedida: o primo que queria ser soldado morre no sanatório, e é o paisano quem vai para a guerra ("foi a você que isso coube, e não a nosso tenente").

Relações