Quem é
O humanista italiano do O Berghof, discípulo de Giosuè Carducci, que Hans Castorp classifica antes de saber o nome.
“Um tocador de realejo”, pensou Hans Castorp, e assim não se admirou nem um pouquinho do nome que ouviu
Trajetória
No Capítulo III: O primeiro dia inteiro e a chegada de Settembrini entra pedagogo desde a primeira fala, chamando os médicos de juízes do Hades e os pacientes de gente decaída, e recita o hino de Carducci a Satanás como símbolo da razão rebelde.
Quantos meses lhe pespegaram os nossos Minos e Radamanto?E, momentos depois:Então o senhor veio por vontade própria a estas alturas, visitar esta gente decaída que somos
Nenhuma dessas falas nega que os pacientes estejam doentes, mas nenhuma trata a doença como elevação: juiz do inferno e gente decaída são figuras de rebaixamento, não de nobreza. É a mesma régua com que, logo em seguida, Settembrini recusa o próprio diabo que Hans Castorp invocara sem pensar. Ao ouvir "difícil como o diabo", ele pergunta se o rapaz sabe que seugrande mestrededicou ao demônio um hino, e recita o versoO salute, o Satana, o Ribellione, o forza vindice della Ragione
Na mesma noite propõe a Hans Castorp que vá embora no trem do dia seguinte.
que tal se ainda esta noite preparasse suas malas e aproveitasse o trem de amanhã para pôr-se a caminho e safar-se daqui?
No Capítulo IV: O sentido do tempo, Hippe e o termômetro acha a música moral e politicamente suspeita, conta o avô carbonário e ergue a política e o humanismo a uma só força.
ela mede o curso do tempo de uma forma especial e cheia de vida, e assim lhe empresta vigilância, espírito e preciosidade. A música desperta o tempo; desperta a nós, para tirarmos do tempo um gozo mais refinado; desperta… e portanto é moral, Politicamente suspeita!
Seu nome era: civilização!, Temor nascente. Dos dois avôs e do passeio de barca ao crepúsculo
No Capítulo V: Humaniora, a análise e a Noite de Walpurgis mostra o programa da Liga para a Organização do Progresso e chama o corpo de princípio mau, em nome do espírito.
No vestíbulo, Settembrini mostra a Hans Castorp a carta da Liga para a Organização do Progresso, que o incumbiu de redigir, para uma enciclopédia de vinte volumes sobre o sofrimento humano, o verbete dedicado às belas-letras.A ordem e a classificação formam o começo do domínio, e o inimigo mais perigoso é o inimigo desconhecido. [...] em aproximadamente vinte volumes de tipo enciclopédico, serão enumerados e tratados todos os males imagináveis dos homens [...]; numa palavra, a obra mostrará os elementos químicos que, em múltipla mistura e combinação, compõem todos os sofrimentos humanos
No mesmo encontro, Settembrini leva Hans Castorp à saleta de leitura e expõe a sua posição sobre o corpo diante do espírito, chamando o corpo de princípio mau justamente por amar o homem.Digo "sim" ao corpo, honro-o e sinto amor por ele [...]. Mas existe um poder, um princípio ao qual dedico a minha fervorosa aprovação [...], e esse poder [...] é o espírito. [...] não ignoro que, dentro da antítese de corpo e espírito, o primeiro representa o princípio mau e diabólico; pois o corpo é natureza, e a natureza [...] é má: mística e má!
No Capítulo VI: Naphta, a Neve e a morte de Joachim encontra o adversário em Leo Naphta e defende contra ele a democracia; numa conversa com Hans Castorp sobre a maçonaria, põe o limite da tolerância.
A democracia não tem outro sentido senão o de ser um corretivo individualista de toda forma de absolutismo do Estado. [...] As conquistas do Renascimento e do Século das Luzes, meu senhor, chamam-se personalidade, direitos do homem, liberdade!
E a resposta de Settembrini, que põe o limite da tolerância no mesmo lugar em que os iluministas o punham:a tolerância se torna crime quando se devota ao mal.
No Capítulo VII: Peeperkorn, o grande tédio e o trovão aceita o duelo desaprovando-o, atira para o ar e, no trovão, se despede de Hans Castorp mandando-o descer.
No caminho para o duelo, Settembrini promete a Hans Castorp:Meu amigo, eu não matarei. Não farei isso. Vou me expor à bala dele. É tudo o que a honra pode exigir de mim.
E così in giù [...] in giù finalmente! Addio, Giovanni mio! [...] Vá lutar com bravura, lá aonde o enviam os laços do sangue!
Temas que encarna
Os temas-padrão que passam por ele são Razão, Política e Tradição e modernidade.
A régua dele não é saúde contra doença, é razão e coragem contra o que ele chama de queda: elogia em Hans Castorp a decisão de ficar e, no mesmo dia, sugere que ele parta, porque o que valoriza é a decisão tomada com clareza. É também a única voz do romance que pede, desde o primeiro dia, a descida à planície, e é ela que se cumpre no fim.
Relações
- Leo Naphta: o adversário de doutrina, com quem divide o alfaiate Lukaček e o duelo.
- Hans Castorp: o discípulo, a quem chama de Giovanni na despedida.
- Pieter Peeperkorn: a presença que esvazia a discussão dele com Naphta.