Quem é
Paciente do O Berghof que entra no romance pelo barulho da porta de vidro e pelo silêncio dos passos, e que Hans Castorp primeiro reprova e depois não consegue deixar de olhar.
Ela caminhou sem ruído, o que criou um estranho contraste com sua entrada barulhenta; caminhou de um modo furtivo e peculiar, com a cabeça levemente avançada, até a última mesa à esquerda
Trajetória
No Capítulo III: O primeiro dia inteiro e a chegada de Settembrini a porta que bate provoca em Hans Castorp um ódio fora de proporção, e o rosto dela lhe lembra alguém que ele não consegue nomear.
A porta da esquerda bate durante a refeição, e Hans Castorp sente uma fúria que o próprio narrador não explica por inteiro.Hans Castorp sentiu um ódio mortal por esse ruído, que desde sempre o enfurecera [...] tinha vontade de esbofetear a quem cometesse esse crime na sua presença
“O que ela me lembra? E quem, neste mundo inteiro?”, ele pensou.
No Capítulo IV: O sentido do tempo, Hippe e o termômetro o nome aparece: os olhos dela são os de Pribislav Hippe, o colega a quem ele pediu um lápis aos treze anos.
que na sua posição, cor e expressão pareciam-se de modo surpreendente e mesmo assustador com os de Pribislav Hippe. “Pareciam-se” não seria de modo algum a expressão adequada — estes olhos eram os mesmos, Temor nascente
quando os olhos falam, tratam-nos por "você", mesmo que a boca ainda não tenha sequer pronunciado "o senhor", O termômetro
No Capítulo V: Humaniora, a análise e a Noite de Walpurgis Dr. Behrens a pinta a óleo, e na Noite de Walpurgis Hans Castorp lhe pede um lápis, fala em francês e liga a paixão presente ao amor de colégio.
Hans Castorp explica a Clawdia por que escolhe o francês para dizer o que nunca disse em alemão.Pourquoi parler? [...] pour moi, parler français, c'est parler sans parler, en quelque manière: sans responsabilité, ou comme nous parlons en rêve.
É também em francês que Hans Castorp liga explicitamente a paixão presente ao episódio escolar do capítulo anterior, o pedido do lápis a Pribislav Hippe.Une fois déjà, lorsque j'étais collégien, je t'ai demandé ton crayon [...] parce que je t'aimais irraisonnablement, et c'est de là, sans doute, c'est de mon ancien amour pour toi que ces marques me restent que Behrens a trouvées dans mon corps, et qui indiquent que jadis aussi j'étais malade
Ela fecha a cena com o mesmo objeto que a abriu, e parte no dia seguinte.
Clawdia responde chamando-o de burguês bonito com a manchinha úmida no pulmão, põe-lhe na cabeça o seu gorro de papel do Carnaval e sai prevendo-lhe uma curva de febre ruim naquela noite; a última frase que lhe dirige, já da porta, fecha o episódio com o mesmo objeto que o abriu.N'oubliez pas de me rendre mon crayon.
No Capítulo VII: Peeperkorn, o grande tédio e o trovão volta ao Berghof com Pieter Peeperkorn, e numa conversa a sós Hans Castorp lhe diz que a doença dá liberdade e gênio.
A doença confere a você essa liberdade. Ela transforma você [...] a doença torna você genial!, diz Hans Castorp a Clawdia, e ela responde rindo, chamando-o de filósofo abstruso.
Temas que encarna
Os temas-padrão que passam por ela são Paixão, Desejo e Doença.
O romance a constrói por objetos e repetições, quase nunca pela fala dela: a porta, os passos, os olhos que são os de Hippe, o lápis pedido duas vezes, o retrato pintado por Behrens. Ela aparece mais como o que Hans Castorp reconhece nela do que como alguém que se explica, e a frase dela que fecha a Noite de Walpurgis é sobre o lápis, não sobre ele.
Relações
- Hans Castorp: a paixão dele, que ela chama de burguês bonito com a manchinha úmida no pulmão.
- Pieter Peeperkorn: o companheiro com quem volta ao Berghof.
- Dr. Behrens: o médico que a retrata a óleo.
- Símbolo: O lápis, o objeto que a liga a Pribislav Hippe.