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Personagem

Hans Castorp

Quem é

Jovem engenheiro de Hamburgo, órfão de pai e mãe antes dos sete anos e, um ano e meio depois, do avô Hans Lorenz Castorp, criado pelo tio-avô Tienappel, que sobe a Davos para visitar o primo Joachim Ziemssen por três semanas e fica sete anos.

A duração da visita é fixada logo na primeira frase da seção. Ia de visita, por três semanas.
Capítulo I: A chegada ao Berghof

O narrador o define menos pelo que ele é do que pelo que a época não lhe deu, e é essa falta que o deixa aberto a tudo o que a montanha oferece.

Quando essa resposta falta, o efeito não fica confinado ao ânimo: Para alguém se dispor a empreender uma obra que ultrapasse a medida da necessidade pura e simples, sem que seu tempo saiba uma resposta satisfatória à pergunta "Para quê?", é indispensável um isolamento e prontidão moral, algo raro e de natureza heroica, ou então uma vitalidade muito robusta, e Hans Castorp, diz o narrador, não possuía nem uma coisa nem outra.
Capítulo II: A pia batismal e as duas figuras do avô

Trajetória

No Capítulo I: A chegada ao Berghof chega, ri do que para Joachim já é rotina e, no quarto, antes do primeiro jantar, sente frio no corpo e calor no rosto.

Ainda no quarto, Hans Castorp descreve uma sensação contraditória de frio no corpo e calor no rosto que Joachim trata como efeito comum do ar da montanha. Estou é com frio! Um frio horroroso, ao menos no corpo, pois o rosto me arde!
Capítulo I: A chegada ao Berghof

No Capítulo II: A pia batismal e as duas figuras do avô o romance volta à infância: a pia batismal, as duas figuras do avô e as três mortes seguidas que o acostumaram ao lado físico da morte.

O narrador nota que a repetição, em vez de despedaçar o menino, produziu nele um distanciamento peculiar: Afinal já era a terceira vez, num curto lapso de tempo, e numa idade tão tenra, que a morte agia sobre o espírito e os sentidos — principalmente os sentidos — do pequeno Hans Castorp, e o terceiro enterro acrescentou um matiz especial [...] que o imunizou contra os frequentes acessos de choro e o contágio do pranto dos demais, fazendo que tudo isso se lhe afigurasse como uma reação normal.
Capítulo II: A pia batismal e as duas figuras do avô

No Capítulo III: O primeiro dia inteiro e a chegada de Settembrini o corpo já decide antes dele, e ele recusa a sugestão de Lodovico Settembrini de partir no dia seguinte.

se eu logo abandonasse o posto, só por sentir durante alguns dias um pouco de calor e de tonturas, teria vergonha de mim e me julgaria covarde
Capítulo III: O primeiro dia inteiro e a chegada de Settembrini

No Capítulo IV: O sentido do tempo, Hippe e o termômetro reconhece nos olhos de Clawdia Chauchat os de Pribislav Hippe, o colega a quem pediu um lápis aos treze anos, compra o próprio termômetro e ouve de Dr. Behrens o diagnóstico que muda o sentido da visita.

cheguei à opinião bastante firme de que o senhor era, clandestinamente, um dos nossos e acabaria por perceber esse fato, como fizeram tantos outros que vieram aqui para divertir-se, estudaram o ambiente, torcendo o nariz, e um belo dia ficaram sabendo que seria conveniente para eles [...] abandonarem a atitude de curiosidade displicente e passarem aqui uma temporada extensa, O termômetro
Capítulo IV: O sentido do tempo, Hippe e o termômetro

No Capítulo V: Humaniora, a análise e a Noite de Walpurgis vê a própria mão na radiografia, estuda anatomia sozinho nas noites de inverno, passa a visitar os moribundos e, na Noite de Walpurgis, declara-se a Clawdia em francês.

Terminada a radioscopia de Joachim, Behrens permite a Hans Castorp contemplar a própria mão através do anteparo, e é aqui que o capítulo chega à sua cena mais forte. E Hans Castorp viu o que devia ter esperado, mas que, em realidade, não cabe ver ao homem, e que jamais teria crido poder ver: lançou um olhar para dentro do seu próprio túmulo. Viu, antecipado pela força dos raios, o futuro trabalho da decomposição; viu a carne em que vivia, solubilizada, aniquilada, reduzida a uma névoa inconsistente, em meio à qual se destacava o esqueleto minuciosamente plasmado da sua mão direita, e em torno da primeira falange do dedo anular pairava, preto e frouxo, o anel-sinete que o avô lhe legara [...]. Com os olhos daquela parenta da família Tienappel, contemplou uma parte familiar do seu corpo [...], e pela primeira vez na vida compreendeu que estava destinado a morrer.
Capítulo V: Humaniora, a análise e a Noite de Walpurgis
No auge da cena, ajoelhado diante dela, Hans Castorp condensa em francês a tese que todo o capítulo vinha preparando desde a radiografia e as leituras de anatomia. Oh, l'amour, tu sais… Le corps, l'amour, la mort, ces trois ne font qu'un. Car le corps, c'est la maladie et la volupté, et c'est lui qui fait la mort, oui, ils sont charnels tous deux, l'amour et la mort, et voilà leur terreur et leur grande magie! [...] Laisse-moi ressentir l'exhalation de tes pores et tâter ton duvet, image humaine d'eau et d'albumine, destinée pour l'anatomie du tombeau, et laisse-moi périr mes lèvres aux tiennes!
Capítulo V: Humaniora, a análise e a Noite de Walpurgis

No Capítulo VI: Naphta, a Neve e a morte de Joachim fica entre Leo Naphta e Settembrini, perde-se na nevasca, formula a frase que resolveria o duelo dos dois e a esquece na mesma noite.

Não quero conceder à morte poder algum sobre meus pensamentos! Pois é nisso que consistem a bondade e a filantropia, e em nada mais. [...] O amor enfrenta a morte; só ele, e não a razão, é mais forte que ela.
Capítulo VI: Naphta, a Neve e a morte de Joachim
O que sonhara estava em vias de se apagar. E o que pensara, naquela mesma noite já não o entendia muito bem.
Capítulo VI: Naphta, a Neve e a morte de Joachim

No Capítulo VII: Peeperkorn, o grande tédio e o trovão se deixa fascinar por Pieter Peeperkorn, mergulha no tédio, interrompe a sessão em que Joachim aparece e, com o trovão da guerra, é mandado por Settembrini de volta à planície.

Hans Castorp não interroga o fantasma nem aceita continuar a sessão: Perdoe-me! — murmurou de si para si [...] Em seguida, seus olhos transbordaram de lágrimas, e sua resposta ao pedido de Krokowski para que dirija a palavra ao primo é levantar-se, acender a luz do teto e exigir dele a chave sem dizer mais nada.
Capítulo VII: Peeperkorn, o grande tédio e o trovão
E così in giù [...] in giù finalmente! Addio, Giovanni mio! [...] Vá lutar com bravura, lá aonde o enviam os laços do sangue!
Capítulo VII: Peeperkorn, o grande tédio e o trovão

Temas que encarna

Os temas-padrão que passam por ele são Formação, Tempo e Doença. A leitura do índice da obra sobre por que ele cede aos dois pedagogos:

Hans Castorp não é seduzido por Settembrini nem por Naphta porque seja tolo; é permeável porque a época dele não lhe deu resposta nenhuma, e homem sem resposta aceita qualquer sistema que ofereça uma. O livro é sobre a Europa de antes de 1914 exatamente nesse sentido, e não por citar a guerra no fim.
A Montanha Mágica

O arco dele é a passagem de visitante a morador, e o romance a marca por números: as três semanas ditas no primeiro diálogo, os sete anos anunciados no Propósito, os sete minutos do termômetro. Ele não decide ficar em momento nenhum; quem decide é o corpo, no capítulo III, e o diagnóstico, no IV. A única descida também não é decisão dele: é o trovão.

Relações