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Símbolo

O lápis

O que é

O lápis que Hans Castorp pediu emprestado aos treze anos a Pribislav Hippe, colega de escola de olhos oblíquos, e que volta duas vezes no romance: num sonho da segunda noite no O Berghof e na Noite de Walpurgis, pedido a Clawdia Chauchat.

Onde aparece

No Capítulo III: O primeiro dia inteiro e a chegada de Settembrini, Hans Castorp sonha que vai pedir um lápis a madame Chauchat no pátio do ginásio, e luta para acordar e guardar de quem ela o faz lembrar.

Depois, Hans Castorp sonhou que se encontrava no pátio do ginásio, onde durante tantos anos passara os intervalos entre as aulas, e que estava a ponto de pedir emprestado um lápis à madame Chauchat, que igualmente estava presente.
Capítulo III: O primeiro dia inteiro e a chegada de Settembrini
ele fez um esforço violento para se desprender do sonho; pois agora já sabia e queria gravar na memória que acontecimento e que pessoa ela lhe recordava com tamanha intensidade
Capítulo III: O primeiro dia inteiro e a chegada de Settembrini

No Capítulo IV: O sentido do tempo, Hippe e o termômetro, a lembrança de Hippe dá o nome que faltava: os olhos de Clawdia são os dele.

que na sua posição, cor e expressão pareciam-se de modo surpreendente e mesmo assustador com os de Pribislav Hippe. “Pareciam-se” não seria de modo algum a expressão adequada — estes olhos eram os mesmos, Temor nascente
Capítulo IV: O sentido do tempo, Hippe e o termômetro
A cena responde a um sonho que Hans Castorp já tivera na segunda noite, e o capítulo anterior o conta inteiro sem dizer de quem se tratava:
Capítulo IV: O sentido do tempo, Hippe e o termômetro

No Capítulo V: Humaniora, a análise e a Noite de Walpurgis, o lápis é o pretexto da declaração, e a cena começa e termina nele.

Sem lápis (ver O lápis) para o jogo do Carnaval, Hans Castorp atravessa a sala em busca de um e vai pedi-lo a Clawdia Chauchat, repetindo de propósito o gesto que abriu o episódio de Pribislav Hippe no capítulo anterior; é o pretexto do lápis que o leva até ela e o põe a conversar a sós, inteiramente em francês.
Capítulo V: Humaniora, a análise e a Noite de Walpurgis
É também em francês que Hans Castorp liga explicitamente a paixão presente ao episódio escolar do capítulo anterior, o pedido do lápis a Pribislav Hippe. Une fois déjà, lorsque j'étais collégien, je t'ai demandé ton crayon [...] parce que je t'aimais irraisonnablement, et c'est de là, sans doute, c'est de mon ancien amour pour toi que ces marques me restent que Behrens a trouvées dans mon corps, et qui indiquent que jadis aussi j'étais malade
Capítulo V: Humaniora, a análise e a Noite de Walpurgis
Clawdia responde chamando-o de burguês bonito com a manchinha úmida no pulmão, põe-lhe na cabeça o seu gorro de papel do Carnaval e sai prevendo-lhe uma curva de febre ruim naquela noite; a última frase que lhe dirige, já da porta, fecha o episódio com o mesmo objeto que o abriu. N'oubliez pas de me rendre mon crayon.
Capítulo V: Humaniora, a análise e a Noite de Walpurgis

O que significa

O lápis é o fio que liga as três pessoas que o romance junta numa só paixão: o colega de colégio, a mulher do sanatório e o próprio Hans Castorp, que na Noite de Walpurgis diz que as marcas que Behrens achou no corpo dele vêm daquele amor antigo. O objeto é pequeno e emprestado, e é justamente por ser emprestado que obriga a um segundo encontro: devolver.

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