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Símbolo

A neve

O que é

A nevasca da seção "Neve", no capítulo VI, em que Hans Castorp sai de esquis contra o regulamento, se perde, adormece de pé junto a um galpão e sonha. Já no capítulo IV uma nevada fora de estação o obrigara a comprar cobertores.

Onde aparece

Antes da tempestade, Hans Castorp para diante dos flocos.

Examinando os flocos na manga com olhos de naturalista amador, que já os vira sob a lente, ele repara na perfeição hostil do seu desenho: eles eram regulares em excesso, num grau jamais alcançado pela substância organizada para a vida. A esta repugnava uma precisão tão exata, que se lhe afigurava mortal, como o mistério da própria morte.
Capítulo VI: Naphta, a Neve e a morte de Joachim

Do sonho sai a formulação que resolve por cima o duelo dos pedagogos, e na mesma noite ela começa a se apagar.

Não quero conceder à morte poder algum sobre meus pensamentos! Pois é nisso que consistem a bondade e a filantropia, e em nada mais. [...] O amor enfrenta a morte; só ele, e não a razão, é mais forte que ela.
Capítulo VI: Naphta, a Neve e a morte de Joachim
O que sonhara estava em vias de se apagar. E o que pensara, naquela mesma noite já não o entendia muito bem.
Capítulo VI: Naphta, a Neve e a morte de Joachim

O que significa

O romance concede a Hans Castorp, e só a ele, a formulação que Naphta e Settembrini gastam o capítulo inteiro sem alcançar, e no mesmo gesto tira dele a posse consciente dela: a verdade central do livro é dita e esquecida pela mesma pessoa, na mesma cena, o que talvez explique por que o duelo entre os dois pedagogos continua, sem vencedor, até a morte de Joachim.
Capítulo VI: Naphta, a Neve e a morte de Joachim

A neve é a perfeição que mata: os flocos regulares demais, que o texto aproxima do mistério da morte, e a tempestade que quase leva Hans Castorp são o cenário em que ele chega à frase contra o poder da morte. É o único lugar do romance em que a resposta aparece, e é fora do O Berghof, sozinho e perdido.

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