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A radiografia

O que é

A radioscopia do laboratório de Dr. Behrens, na seção "Meu Deus, eu vejo!" do capítulo V, em que Hans Castorp vê primeiro o coração de Joachim e depois o esqueleto da própria mão.

Onde aparece

No laboratório de radioscopia (ver A radiografia), Behrens mostra primeiro a Hans Castorp o próprio esqueleto de Joachim, que ele examina na penumbra através do anteparo luminoso. Deus do céu, era o coração. Hans Castorp estava vendo o coração honroso de Joachim. — Estou vendo seu coração! — disse com voz estrangulada.
Capítulo V: Humaniora, a análise e a Noite de Walpurgis
É nesse instante que o narrador evoca, pela primeira vez, a parenta da família Tienappel que via os moribundos sob a forma de esqueletos: Hans Castorp está enxergando, com instrumentos de física e óptica, o que aquela mulher via como dom ou desgraça, e o romance deixa claro que a diferença entre visão sobrenatural e visão científica, nesse ponto, é mínima.
Capítulo V: Humaniora, a análise e a Noite de Walpurgis
Terminada a radioscopia de Joachim, Behrens permite a Hans Castorp contemplar a própria mão através do anteparo, e é aqui que o capítulo chega à sua cena mais forte. E Hans Castorp viu o que devia ter esperado, mas que, em realidade, não cabe ver ao homem, e que jamais teria crido poder ver: lançou um olhar para dentro do seu próprio túmulo. Viu, antecipado pela força dos raios, o futuro trabalho da decomposição; viu a carne em que vivia, solubilizada, aniquilada, reduzida a uma névoa inconsistente, em meio à qual se destacava o esqueleto minuciosamente plasmado da sua mão direita, e em torno da primeira falange do dedo anular pairava, preto e frouxo, o anel-sinete que o avô lhe legara [...]. Com os olhos daquela parenta da família Tienappel, contemplou uma parte familiar do seu corpo [...], e pela primeira vez na vida compreendeu que estava destinado a morrer.
Capítulo V: Humaniora, a análise e a Noite de Walpurgis

Na Noite de Walpurgis, Hans Castorp liga as marcas que Behrens achou no corpo dele ao amor de colégio por Pribislav Hippe.

É também em francês que Hans Castorp liga explicitamente a paixão presente ao episódio escolar do capítulo anterior, o pedido do lápis a Pribislav Hippe. Une fois déjà, lorsque j'étais collégien, je t'ai demandé ton crayon [...] parce que je t'aimais irraisonnablement, et c'est de là, sans doute, c'est de mon ancien amour pour toi que ces marques me restent que Behrens a trouvées dans mon corps, et qui indiquent que jadis aussi j'étais malade
Capítulo V: Humaniora, a análise e a Noite de Walpurgis

O que significa

O mesmo instrumento que prova que Hans Castorp está doente é o que lhe dá a primeira certeza visual de que vai morrer, antes de qualquer diagnóstico em palavras; e as marcas que ela mostra viram, na boca dele, marca de um amor antigo. A radiografia junta, num só objeto, a doença, a morte e a paixão que o capítulo V vai declarar em francês.

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