Clavis Libri

Personagem

Quincas Borba

Quem é

Colega de infância de Brás Cubas em Memórias Póstumas de Brás Cubas, filho de uma viúva com algum cabedal, que, no tempo da escola, fazia de imperador nas festas do Espírito Santo. Reaparece adulto como mendigo no Passeio Público, depois como herdeiro de um tio de Barbacena e por fim como filósofo do Humanitismo, sistema que explica a dor, a guerra e a fome como funções de Humanitas. Ele reaparece no romance Quincas Borba, que lhe dá o título, e o mesmo personagem está em Quincas Borba (filósofo).

Trajetória

Na escola do mestre Ludgero, deixava baratas mortas para o mestre e fazia de imperador nas festas; Brás o chama de flor da cidade e se corta antes de adiantar o que vem (capítulo XIII). Adulto, aborda Brás no Passeio Público arrastando os andrajos com certa graça indolente; recebe cinco mil-réis, beija a nota, aplica-lhe a divisa de Constantino, recusa trabalhar e anuncia a filosofia da miséria (capítulo LIX). Olha o brilhante no dedo de Brás com estremeções de cobiça, recusa-se a saber onde ele mora, abraça-o com ímpeto e lhe furta o relógio no abraço (capítulo LX), e Brás passa a querer regenerá-lo (capítulo LXI).

Devolve a Brás um relógio novo, no lugar do que lhe tomara, e escreve que criou o Humanitismo, recusando o nome "borbismo" por vaidoso; diz que cedeu o degrau da escada de São Francisco e finalmente almoça (capítulo XCI). Visita Brás de sobrecasaca e botas de verniz, herdeiro de um tio de Barbacena, e troca o poço dos gregos pelo mar do Humanitismo (capítulo CIX). Expõe a doutrina entre o frango e o café: o amor é sacerdócio, guerra, fome e crime são funções necessárias, a inveja é virtude e a dor, ilusão; dias depois lê a Brás os quatro volumes manuscritos (capítulo CXVII).

Humanitas, dizia ele, o princípio das coisas, não é outro senão o mesmo homem repartido por todos os homens
Capítulos CXVII a CXXXVI: O Humanitismo, Nhã-loló e os cinquenta anos

Anima o casamento de Brás, diz que Humanitas se agita no peito dele e prova que a parábola evangélica era prenúncio do Humanitismo (capítulo CXX). Na morte de Nhã-loló, explica que as epidemias servem à espécie e pergunta a Brás se não sente secreto encanto em ter escapado (capítulo CXXVI). Quando Brás está acabrunhado, diz que a pior filosofia é a do choramigas à margem do rio e o conduz à barretina (capítulo CXXXVII); chama a ambição de Brás de capricho, e Brás o manda para o diabo com o Humanitismo (capítulo CXL). Para em êxtase diante de dois cães que brigam por um osso sem carne (capítulo CXLI).

Vida é luta. Vida sem luta é um mar morto no centro do organismo universal
Capítulos CXXXVII a CLX: A barretina, o ministério e as negativas

Responde à objeção de Brás com Pascal e diz que a sua expressão é mais profunda: sabe que tem fome (capítulo CXLII). Exige uma declaração reservada de autoria para o programa do jornal e chama Brás de discípulo amado (capítulo CXLVI). Defende Cotrim da acusação de ingratidão com a teoria do benefício (capítulo CXLIX). Julga Brás doido e manda um alienista, que declara Brás são e dá o amigo por suspeito (capítulo CLIII); chama a atitude do criado de orgulho da servilidade, sentimento nobre do Humanitismo (capítulo CLVI).

Volta de Minas demente e consciente disso, e morre em casa de Brás, repetindo que a dor é uma ilusão (capítulo CLIX).

Quincas Borba não só estava louco, mas sabia que estava louco
Capítulos CXXXVII a CLX: A barretina, o ministério e as negativas

Temas que encarna

Os temas que passam por ele são Sentido da vida, Morte e Ambição. O símbolo que o define é o Humanitismo.

Sentido da vida: o Humanitismo dá razão a tudo, da fome ao frango, e o livro pergunta se ele explica o mundo ou apenas autoriza quem o explica (capítulo CXVII).

Morte: para ele a dor é ilusão e a epidemia serve à espécie, e a morte dele é a de quem sabe estar louco (capítulo CXXVI, capítulo CLIX).

Ambição: é ele quem empurra Brás para a pasta, o jornal e a luta (capítulo CXXXVII, capítulo CXLI, capítulo CXLVI).

O Quincas das Memórias é duas figuras, o mendigo que beija a nota e furta o relógio e o filósofo de sobrecasaca, e a doutrina que o separa do mendigo chega junto com a herança (capítulo CIX). O Humanitismo dá a cada sentimento condenado um nome de virtude, como a inveja que vira admiração que luta (capítulo CXVII), e o livro mostra o preço disso no fim, quando o filósofo sabe que está louco e continua a repetir que a dor é ilusão (capítulo CLIX).

Relações

  • Brás Cubas: o colega de escola de quem recebe cinco mil-réis, a quem empurra à ambição e em cuja casa morre.
  • Quincas Borba (filósofo): o mesmo personagem, visto no romance que leva o nome dele.
  • Cotrim: o cunhado de Brás que ele defende com a teoria do benefício.
  • Nhã-loló: a noiva de Brás cuja morte ele lê como serviço da epidemia à espécie.