Clavis Libri

Personagem

Prudêncio

Quem é

Moleque da casa dos Cubas que Brás Cubas menino transformou em cavalo de todos os dias, e que reaparece, libertado pelo pai de Brás, vergalhando um escravo seu no Valongo. Memórias Póstumas de Brás Cubas o mostra poucas vezes e quase não lhe dá a palavra; é na segunda cena que o narrador dá a leitura da violência que passa de mão em mão.

Trajetória

Na infância de Brás, é o cavalo dele: o menino cavalga e fustiga, e o único "ai, nhonhô!" recebe de volta "Cala a boca, besta!" (capítulo XI).

Prudêncio, um moleque de casa, era o meu cavalo de todos os dias
Capítulos X a XVI: Infância e Marcela

Acompanha Brás à Tijuca depois da morte da mãe, e é ele quem lembra que D. Eusébia vestiu o corpo dela (capítulo XXV). Na partilha da herança aparece livre há dois anos: a alforria, dada pelo pai sem dar parte a ninguém, entra no inventário como surpresa e como perda, e Cotrim pergunta se o pai não libertou também a prata (capítulo XLVI).

No Valongo, vergalha um preto na praça; ao ver Brás, pede-lhe a bênção, explica que bate no seu escravo por vadio e bêbado e obedece quando Brás manda perdoar (capítulo LXVIII).

Nhonhô manda, não pede.
Capítulos LXIV a LXXVI: A casinha, o vergalho e Dona Plácida
Era um modo que o Prudêncio tinha de se desfazer das pancadas recebidas, [...] transmitindo-as a outro.
Capítulos LXIV a LXXVI: A casinha, o vergalho e Dona Plácida

Brás o põe ao lado do louco Romualdo, que dizia ser Tamerlão, e dispensa os dois para voltar à casinha (capítulo LXIX).

Temas que encarna

O tema que passa por ele é Escravidão: do cavalo do menino ao senhor de outro escravo, o livro o mostra como elo de uma cadeia de pancadas, e Brás é o primeiro anel (capítulo XI, capítulo LXVIII).

Prudêncio é livre e continua a obedecer: para de bater porque quem pede é o antigo dono. A cena da praça tem duas leituras que o texto sustenta, a de Machado contra a alegria de Brás, que ri do que não devia, e a de uma análise limpa em que a violência recebida se repete em quem tem alguém abaixo; nas duas, Brás é o primeiro elo da cadeia que descreve.

Relações

  • Brás Cubas: o menino que o montava e o homem a quem ele ainda obedece, de bênção pedida.
  • Bento Cubas: o pai de Brás, que o libertou sem dar parte a ninguém.
  • Cotrim: o cunhado que põe a pessoa libertada e a prata na mesma coluna da partilha.