Quem é
Alieksandra Ivánovna Iepántchina é a filha mais velha do general Ivan Fiódorovitch Iepántchin e de Ielisavieta Prokófievna Iepántchina, irmã de Adelaida Ivánovna Iepántchina e de Aglaia Ivánovna Iepántchina. Tem vinte e cinco anos quando o romance começa e é musicista (capítulo II da Primeira Parte). É a filha que a família destina, por sensatez, a Afanassi Ivánovitch Totski, que tem cinquenta e cinco: Aglaia, a mais bela, não lhe cabe, e Alieksandra, sensata e afável, talvez aceite (capítulo IV da Primeira Parte). É a mais calma das três e a que tira as conclusões em voz alta; o que o livro mostra dela é pouco, e quase sempre pelo olhar dos outros, mas o príncipe, no primeiro dia, lê no rosto dela uma tristeza que ninguém da casa tinha nomeado.
Trajetória
No capítulo V da Primeira Parte, quando o príncipe começa a contar a vida na Suíça, ela cochicha a Aglaia que ele talvez seja um velhaco e não um idiota. Depois da história do condenado perdoado, que só vê o tempo como riqueza infinita quando o vê acabar, é ela quem tira a moral e pergunta o que o homem fez com a vida devolvida:
Что если бы не умирать! Что если бы воротить жизнь, — какая бесконечность! И всё это было бы мое! Я бы тогда каждую минуту в целый век обратил, ничего бы не потерял, каждую бы минуту счетом отсчитывал, уж ничего бы даром не истратил!, e se eu não morresse! E se a vida me fosse devolvida, que infinito! E tudo isso seria meu! Eu então transformaria cada minuto num século inteiro, não perderia nada, contaria cada minuto, não gastaria nada à toa!
No mesmo capítulo, depois da descrição do último dia do condenado, comenta que aquilo não se parece com o quietismo de que Aglaia acusava o príncipe. No capítulo VI da Primeira Parte ele cumpre a promessa de dizer o que vê nos rostos, e diz dela:
У вас, Александра Ивановна, лицо тоже прекрасное и очень милое, но, может быть, у вас есть какая-нибудь тайная грусть; душа у вас, без сомнения, добрейшая, но вы не веселы. У вас какой-то особенный оттенок в лице, похоже как у Гольбейновой Мадонны в Дрездене, a senhora, Alieksandra Ivánovna, também tem um rosto belo e muito gentil, mas talvez tenha alguma tristeza secreta; a sua alma é, sem dúvida, boníssima, mas a senhora não é alegre. Há no seu rosto um matiz especial, parecido com o da Madona de Holbein, em Dresden.
No capítulo I da Segunda Parte, seis meses depois, o casamento planejado com Totski se desfaz sozinho, e ele se encanta por uma marquesa francesa. No capítulo I da Terceira Parte o narrador conta que a mãe chora de noite por ela, ainda solteira aos vinte e cinco anos; na mesma noite, à mesa, é Alieksandra quem acusa Ievguiêni Pávlovitch Radomski de caluniar quando ele diz que o liberal russo nega a própria Rússia. No capítulo III da Terceira Parte, depois do escândalo no vauxhall, a mãe e as duas filhas mais velhas concluem que Radomski tem ligações com Nastácia Filíppovna. No capítulo X da Terceira Parte, à meia-noite, é a única que o príncipe encontra acordada na datcha: diz-lhe que é meia-noite e meia e que talvez o tivessem esperado. No capítulo V da Quarta Parte, quando a família não sabe se o noivo de Aglaia é bom ou não presta, é ela quem diz que o príncipe nunca foi bobo. No capítulo XII da Quarta Parte, na casa de Schneider, agradece com Adelaida a Radomski os cuidados com o príncipe.
Temas que encarna
Alieksandra é o lugar onde o romance mostra o casamento como arranjo sem escândalo: ela é a filha que aceitaria Totski por sensatez, e o príncipe, sem saber do arranjo, vê nela uma tristeza secreta (capítulo VI da Primeira Parte). A comparação com a Madona de Holbein, o mesmo pintor do Cristo morto da casa de Rogójin, dá a ela a única forma de Beleza do livro que não é força nem enigma: a beleza triste de quem não é alegre e não diz por quê.
Leituras divergentes
O texto deixa duas leituras dela. Numa, é a irmã sensata e pálida, que fala pouco e confirma o que os outros pensam. Na outra, é a mais atenta da casa: é ela quem suspeita do velhaco antes de todos, quem desfaz a acusação de quietismo (capítulo V da Primeira Parte) e quem diz, quando ninguém mais diz, que o príncipe nunca foi bobo (capítulo V da Quarta Parte).
Relações
- Ielisavieta Prokófievna Iepántchina, a mãe, que chora por ela ainda solteira (capítulo I da Terceira Parte).
- Ivan Fiódorovitch Iepántchin, o pai, que a destina ao sócio (capítulo IV da Primeira Parte).
- Afanassi Ivánovitch Totski, o pretendente de cinquenta e cinco anos (capítulo IV da Primeira Parte, capítulo I da Segunda Parte).
- Liev Nikoláievitch Míchkin, que lê a tristeza no rosto dela (capítulo VI da Primeira Parte).
- Adelaida Ivánovna Iepántchina e Aglaia Ivánovna Iepántchina, as irmãs.