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Personagem

Ivan Fiódorovitch Iepántchin

Quem é

Ivan Fiódorovitch Iepántchin é o general em cuja casa Liev Nikoláievitch Míchkin bate na manhã da chegada. Tem cinquenta e seis anos, é filho de soldado e sem instrução, fez fortuna com casas, uma propriedade e ações em companhias, e cultiva a imagem de quem conhece o seu lugar e executa as ideias dos outros (capítulo II da Primeira Parte). Casou cedo com Ielisavieta Prokófievna Iepántchina, a última princesa dos Míchkin, a quem respeita e de quem tem medo, e tem três filhas que ele, por sistema, não apressa a casar, deixando a fortuna e a posição crescentes trabalharem por elas (capítulo IV da Primeira Parte). É sócio de Afanassi Ivánovitch Totski em alguns negócios e emprega Gavrila Ardaliónovitch Ívolguin numa companhia. O que ele quer é que as coisas se arranjem sem barulho: o casamento de Totski com uma das filhas, o casamento de Gánia com Nastácia Filíppovna Barachkova, e, por baixo de tudo, o favor dessa mesma mulher, a quem prepara de presente umas pérolas caríssimas (capítulo IV da Primeira Parte). O que teme é a mulher, o escândalo e, mais tarde, a própria Nastácia Filíppovna, com um medo que ele mesmo não sabe explicar (capítulo XI da Segunda Parte). Onde se engana é em achar que um arranjo pode parecer limpo quando todos sabem o que se compra nele.

Trajetória

No capítulo III da Primeira Parte recebe o príncipe com curiosidade e desconfiança, supõe que ele tenha algum objetivo e avisa que tem pouco tempo; o sorriso sem rancor do visitante o faz mudar de tom, e quando lhe oferece espera, se o tempo permitir, ouve a resposta de quem não tem compromisso nenhum:

О, у меня время терпит; у меня время совершенно мое, oh, eu tenho tempo de sobra; o meu tempo é todo meu.
Primeira Parte: A chegada

No mesmo capítulo, diante do príncipe, revela a Gánia que Nastácia Filíppovna dará à noite a última palavra sobre o casamento, irrita-se com a hesitação do rapaz e exige entusiasmo, porque quer que ele aceite de bom grado; promete ao príncipe um posto de copista com trinta e cinco rublos por mês, adianta-lhe vinte e cinco e o recomenda como inquilino à mãe de Gánia. O retrato e a história do trem o inquietam: Rogójin traz um milhão e uma paixão.

No capítulo IV da Primeira Parte o narrador conta o plano que ele combinou com Totski: casar Nastácia Filíppovna com Gánia. Os dois vão vê-la (e lá Totski oferece setenta e cinco mil rublos, de que nem o general sabia), Totski se acusa e o general fala como pai; quando ela aceita com calma, ele fica satisfeito e dá o assunto por resolvido, ao contrário do sócio:

но раз напуганный Тоцкий и теперь не совсем поверил, и долго боялся, нет ли и тут змеи под цветами, mas Totski, assustado uma vez, nem agora acreditou de todo, e por muito tempo temeu que houvesse uma serpente debaixo das flores também ali.
Primeira Parte: A chegada

Correm então os boatos das pérolas, que chegam à generala, e por isso ele teme o almoço em família; a chegada do príncipe lhe parece enviada por Deus. No capítulo V da Primeira Parte apresenta o visitante à mulher como um pobre idiota, quase mendigo, para distraí-la, e foge para ver o conde, e ela sabe muito bem a que conde ele vai.

Na festa do capítulo XIII da Primeira Parte as pérolas são recebidas com frieza. No jogo de confissões do capítulo XIV da Primeira Parte conta como pior ato da vida a manhã em que, alferes, voltou para insultar uma velha viúva de oitenta anos por causa de uma tigela, sem saber que ela morria enquanto ele gritava:

Я постоял в нерешимости; мухи жужжат, солнце закатывается, тишина; в совершенном смущении я, наконец, ухожу, fiquei parado, indeciso; as moscas zumbem, o sol se põe, silêncio; completamente confuso, enfim, vou embora.
Primeira Parte: A chegada

E, na mesma fala, confessa e se absolve:

Без сомнения, я виноват, [...] тем более, что если я и виновен, то ведь не совершенно же: зачем же ей как раз в это время вздумалось помирать?, sem dúvida, sou culpado, [...] tanto mais que, se sou culpado, não o sou de todo: por que é que ela foi inventar de morrer justo naquela hora?
Primeira Parte: A chegada

Conta ainda que há quinze anos sustenta duas velhinhas num asilo, e Nastácia Filíppovna lamenta que ele tenha bom coração, porque ela queria uma baixeza de verdade. Quando ela deixa ao príncipe a decisão do casamento, ele pergunta, indignado, o que é afinal esse príncipe, e ouve que pode levar as pérolas para a esposa. No capítulo XV da Primeira Parte fica por cavalheirismo e cochicha se ela não enlouqueceu em sentido médico; no capítulo XVI da Primeira Parte murmura Sodoma, tenta segurar o príncipe na escada e volta para casa com as pérolas, lamentando a mulher perdida e calculando que agora o príncipe precisa de outra noiva.

No capítulo I da Segunda Parte conta à família o que mandou apurar: a herança é menor do que se dizia, e o príncipe pagou quase todos os credores do comerciante morto, até os sem documento. No fim do capítulo VI da Segunda Parte chega ao terraço de Liébediev no instante em que Aglaia começa a balada do cavaleiro pobre, trazendo Ievguiêni Pávlovitch Radomski, e no capítulo VII da Segunda Parte entende só que se declamavam versos. No capítulo IX da Segunda Parte a mulher explode, e a cólera, que ele diz ter a cada três anos, cai primeiro sobre ele; no capítulo X da Segunda Parte repreende Hippolit Tieriêntiev, lembrando que a generala ficou por compaixão de um doente, e propõe uma enfermeira. No capítulo XI da Segunda Parte, no trem, pede ao príncipe que não os visite por algum tempo, jura que as promissórias de Radomski são calúnia, desconfia de que Nastácia Filíppovna se vinga dele por um caso antigo e confessa um medo sem objeto, como de um morcego no ar.

No capítulo III da Terceira Parte chega de Petersburgo depois do escândalo do vauxhall, conversa às escondidas com o príncipe Sch. e leva o príncipe consigo; no caminho fala aos solavancos: que não entende a histeria da mulher, que Nastácia Filíppovna não é louca e sim astuta, que o tio de Radomski de fato se matou, que Radomski pediu Aglaia um mês antes e foi recusado, e que a filha riu dizendo que a louca meteu na cabeça casá-la com o príncipe. Termina pedindo que o príncipe não se ofenda, porque Aglaia ri dele como uma criança.

No capítulo V da Quarta Parte acha, entre reticências, que o nome do príncipe sustentaria um nome de família em decadência, e lê o ouriço que Aglaia manda ao príncipe como ouriço e mais nada, sinal de amizade e de reconciliação; o narrador diz que ele acertou. Depois do pedido em público, fica a sós com o príncipe e lhe pergunta se ama mesmo a filha. No capítulo VI da Quarta Parte ele e a mulher, incapazes de decidir sozinhos se há algo de estranho no casamento, marcam a reunião para apresentar o noivo à velha Bielokónskaia; no capítulo VII da Quarta Parte apresenta o príncipe a Ivan Petróvitch e, quando o discurso sobre o catolicismo começa a assustar a sala, já abre caminho para tirá-lo dali, antes de o vaso chinês cair. No capítulo X da Quarta Parte é um dos que Liébediev procura, com um jurista e um médico, para pôr o príncipe sob curatela, e a conversa de duas horas termina sem curatela nenhuma. No capítulo XII da Quarta Parte é o único da família que não vai à Suíça: fica em Petersburgo.

Temas que encarna

O general é o homem do arranjo, e a Primeira Parte o usa para mostrar como o dinheiro circula sem ser nomeado (Dinheiro e riqueza). Ele ajuda Totski a casar uma mulher, dotada pelo sócio, com o rapaz que trabalha para ele, compra pérolas para ela às escondidas da esposa, trata o casamento de Gánia como negócio diante de um estranho (capítulo III da Primeira Parte), e o que exige não é a decisão do rapaz, é o entusiasmo dele, para que o negócio pareça um sentimento. Quando Nastácia Filíppovna devolve tudo (capítulo XIV da Primeira Parte), quem perde não é ele, é o desenho que ele tinha feito.

A confissão da viúva (capítulo XIV da Primeira Parte) é a cena em que ele é mais do que o arranjo. O detalhe das moscas e do sol que se põe é de lembrança verdadeira, e a culpa é real, tanto que ele paga há quinze anos uma dívida com duas velhinhas para se acalmar; mas a mesma fala atenua a culpa pela coincidência. É o retrato de um homem que tem consciência e não deixa que ela custe caro, e Nastácia Filíppovna o acerta quando lamenta o bom coração dele: o bom coração é o que o impede de chegar à baixeza e também à confissão inteira.

Relações