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Perguntas · Um, Nenhum e Cem Mil

Como termina Um, Nenhum e Cem Mil?

Um, Nenhum e Cem Mil termina com Vitangelo Moscarda num asilo de mendicância no campo, sem nome, sem espelho e sem lembranças, dizendo-se uma árvore, uma nuvem e o vento. O livro não conclui, e é esse o sentido do último capítulo, que no original se chama «Não conclui».

Depois do tiro de Anna Rosa, ele é interrogado no hospital e, já em casa, recebe o juiz na poltrona, com a coberta de lã verde. Moscarda recusa repetir suas considerações sobre a vida, fala de uma correnteza que arrasa os diques e pergunta se a coberta não é bela. O cônego Sclepis arma então o plano de uma penitência pública: Moscarda doa tudo, a casa inclusive, para fundar, com o que lhe couber da liquidação do banco, um asilo de mendicância com cozinha econômica, e vive ali como qualquer mendigo. O que mais lhe arde é que essa entrega seja lida como arrependimento.

O asilo é de mendigos, e não um manicômio, e o livro nunca o interna como louco. Anna Rosa é absolvida, em parte pelo riso que o aparecimento dele no tribunal, de boné, tamancos e camisão azul, causou. Todos querem chamá-lo de Moscarda. Ele diz que não há nome, que o nome é epitáfio e convém aos mortos, a quem concluiu. Ele está vivo e não conclui.

A última página é uma manhã no campo: ele sai ao alvorecer, desvia os olhos para que nada pare e morra na aparência, ouve de longe os sinos e diz que morre a cada instante e renasce novo, vivo e inteiro, não mais em si, mas em cada coisa de fora. O texto sustenta duas leituras, a de libertação e a de dissolução, e não escolhe.

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