Um, Nenhum e Cem Mil conta como um comentário distraído da mulher sobre o nariz do marido, Vitangelo Moscarda, o faz descobrir que ele não é um só nem para si nem para os outros, e como, para recuperar a unidade que perdeu, ele desmonta a própria vida e termina num asilo de mendigos, sem nome.
Nos três primeiros Livros, Moscarda, de vinte e oito anos, rico e ocioso, herdeiro de um banco na cidade de Richieri, ouve de Dida que o nariz dele pende para a direita. A frase o leva ao espelho, à ideia de que cada pessoa o vê de um modo e à conclusão de que ele é cem mil Moscarda. Fala o tempo todo a um leitor, descobre que Dida ama um marido chamado Gengè que ela mesma construiu e vê o pai, banqueiro para ele, como usurário para a cidade.
Nos Livros IV e V, ele põe a tese à prova. Manda despejar Marco di Dio, o homem que mais o odeia, e logo lhe dá uma casa; a multidão que o chamava de usurário passa a gritar «louco». Quando o riso de Dida o fere num ponto que nenhuma imagem alcança, manda fechar o banco e empurra a mulher na poltrona.
Nos Livros VI a VIII, Dida vai embora, ele procura o bispo, recebe um tiro de Anna Rosa e, por plano do cônego Sclepis, entrega tudo para fundar um asilo de mendicância. O romance acaba com ele, no asilo, sem nome e sem espelho, entre árvores, nuvens e sinos ouvidos de fora.