O título resume em três números o que Vitangelo Moscarda descobre sobre si. Um é o que ele acreditava ser, o mesmo para todos. Cem mil são os Moscarda que cada pessoa que o conhece constrói a seu modo. Nenhum é o que sobra quando ele procura, por dentro, quem é o dono de tudo isso, e não acha ninguém.
As três palavras aparecem juntas, pela primeira vez, no capítulo IV do Livro I, quando ele surpreende num espelho da rua um estranho que não reconhece: os cem mil Moscarda que ele era, para os outros e também para si, todos com o mesmo nome feio, estavam dentro de um corpo que era um e nenhum. A fórmula volta no Livro IV, quando ele diz que arriscou o manicômio e ainda teve de arriscar a vida para achar, por fim, a via da saúde, e a conta ressurge no Livro V, quando ele enumera oito pessoas num salão onde só dois o veem.
O título também diz que o livro não oferece resposta única. Pirandello, numa entrevista dada no Rio de Janeiro em dezembro de 1927, disse que cada um pode ser um, nenhum ou cem mil, mas que a escolha é imperativa, e que a tragédia está na lei que obriga o homem a ser um, ao custo de todas as vidas que não viveu. O romance dramatiza essa escolha e a deixa sem conclusão, até a última página, em que Moscarda opta por não ter nome.