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Perguntas · Um, Nenhum e Cem Mil

Por que o nariz e o espelho importam tanto em Um, Nenhum e Cem Mil?

O nariz é o defeito mínimo que prova a tese do livro, e o espelho é o lugar onde Vitangelo Moscarda tenta ver, sem conseguir, o que os outros veem nele. Um é o gatilho, o outro é o instrumento do experimento.

O nariz pende para a direita, diz Dida, com calma e com um «querido». O defeito é pequeno, e o que o abala é ter vivido anos com ele sem saber e precisar de uma esposa para ficar sabendo. Ele pergunta a um amigo se está olhando o seu nariz, descobre que o amigo já sabia, e conclui que nunca foi, para ninguém, o Moscarda de nariz reto que supunha ser. A cidade inteira, contagiada, passa a examinar o próprio rosto nas vitrines.

O espelho vem em seguida. Diante dele, a espontaneidade acaba, cada gesto parece fingido, e Moscarda diz que não pode se ver viver. Surpreende-se num espelho da rua e não se reconhece: vê um estranho que passa conversando. Faz caretas diante de todos os espelhos de casa, sem apanhar uma emoção verdadeira, porque ela cessaria no instante em que a visse. Por fim, de olhos fechados, vai ao espelho do armário e vê um corpo sem nome e sem dono, que espirra por um fio de ar.

A lição do espelho se resume numa frase que Moscarda dirá, mais tarde, a Anna Rosa: não se pode viver diante de um espelho. No fim do romance, no asilo, ele nunca mais se olhou.

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